Análise: Googlebook chega às lojas com Dell mais em conta, estreia irregular e bootloader liberado

A plataforma que mistura Android e notebook começa a ser entregue com preço que surpreendeu, um tropeço do Slack e abertura para quem gosta de mexer no sistema.

Alexandre Soares4 min de leitura
Dell XPS Googlebook: Notebook dourado aberto à frente, com tela de onda colorida, e outro de costas com a marca XPS e faixa colorida na tampa
Divulgação/Dell

O Googlebook já está à venda e sendo entregue. No primeiro dia, aparece um caso concreto do que é estrear uma plataforma nova: o app web do Slack não instala como PWA no aparelho. A tentativa termina na mensagem "this app cannot be installed". Ainda é possível criar um atalho, mas ele abre como aba do Chrome, não como janela própria.

O detalhe curioso é que a Play Store, ao tentar baixar o app Android do Slack, já avisa que ele é "melhor no site". O sistema empurra o usuário para a web, e a web, nesse caso, não colabora.

Preço: a Dell também custa menos do que se imaginava

O modelo da Dell, o XPS, também ficou mais barato do que o esperado, inclusive do que o próprio Google imaginava. Não é um caso isolado: o da Lenovo já havia sido apontado como mais barato do que se previa. As informações disponíveis não trazem os valores, então não dá para cravar números. Também não há informação sobre preço ou data de chegada ao Brasil.

Mesmo sem cifras, o sinal é relevante para uma plataforma que precisa convencer quem hoje compra um notebook comum ou um Chromebook a olhar para um terceiro caminho.

Duas frentes de apps

O Googlebook roda um sistema que, no fundo, é Android. Por isso, muitas experiências vêm de apps nativos, como Gemini, Google Photos e apps de música. Outros serviços, como Gmail e YouTube, aparecem como PWAs, os aplicativos web instaláveis. Quem já usou Chromebook conhece a fórmula, porque essa linha apostou pesado nesse modelo.

A herança parece ajudar: Photopea, Squoosh e SnapDrop, entre outros PWAs testados, funcionaram bem. O Slack, por outro lado, falhou, e ainda não está claro por quê. Também é difícil imaginar que seja o único caso com problema no primeiro dia. O peso do tropeço vem do que o Slack representa: é presença constante em ambientes de trabalho, e a falta de um suporte de nível desktop logo na estreia pode deixar uma impressão ruim em quem adota a plataforma cedo. O Google foi procurado para comentar, e ainda não há resposta.

Chips Intel e apps complexos

Há indicação de que modelos com chip Intel podem ter dificuldade com apps Android considerados complexos. As informações disponíveis não trazem detalhes sobre quais apps seriam afetados nem sobre o tamanho do problema. Fica como ponto de atenção para a escolha de configuração, a ser esclarecido nas próximas semanas.

Dell XPS Googlebook: Notebook dourado champanhe visto por trás, tampa com logotipo XPS e faixa colorida no topo
Divulgação/Dell

A porta para quem gosta de mexer

O lado mais atraente para o público avançado é o bootloader. O Google confirmou, em uma página de suporte, que um desenvolvedor ou usuário avançado pode desbloqueá-lo para instalar uma versão personalizada do sistema ou testar um app. O aviso vem junto: a maioria das pessoas não precisa fazer isso.

O processo lembra o de um Pixel ou de outros celulares Android que aceitam o desbloqueio. Primeiro, ativa-se o desbloqueio de OEM nas configurações, dentro das opções do desenvolvedor. Depois, segura-se Esc + F2, aperta-se o botão de energia e soltam-se todas as teclas quando a tela acende. O desbloqueio fica em "opções avançadas".

John Wu, desenvolvedor do Magisk, confirmou que o suporte à ferramenta está em andamento para o Googlebook. Ele chamou a plataforma de ideal para modding de Android, porque celulares modernos com root costumam ter apps quebrados, inclusive de bancos. Ainda são necessários alguns ajustes para o Magisk funcionar no aparelho. Não há data para a chegada.

O que pesa na balança

De um lado estão o preço que veio menor do que se esperava e uma abertura pouco comum em computadores de consumo, com bootloader desbloqueável e root em preparação. De outro, a compatibilidade ainda irregular, como o caso do Slack mostra, e a indicação de dificuldades com apps complexos nos modelos com Intel.

Há também uma ressalva que vai além do aparelho: quem comprou um Googlebook e não tem um celular com Android 17 recebeu más notícias, porque a falta dessa versão no telefone traz limitações. Os detalhes de quais recursos ficam de fora não constam nas informações disponíveis.

Nas próximas semanas, vale acompanhar se o Slack passa a instalar como PWA, se o suporte ao Magisk de fato chega e se os preços e a disponibilidade se confirmam, inclusive para o Brasil.

A sequência de teclas para o desbloqueio diz bastante sobre o momento: é um notebook que já nasce com a porta dos fundos destrancada, enquanto o Slack ainda espera na porta da frente.

Fontes: Android Authority, 9to5Google, Android Authority, 9to5Google, Android Authority

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