Explicamos

A diferença entre eSIM e chip físico

Claro, Vivo e TIM aceitam eSIM no Brasil, mas ele só existe em celulares a partir do iPhone XS, de 2018.

Alexandre Soares5 min de leitura
Apple eSIM, chip eSIM embutido em celulares: Tela de iPhone mostrando lista de etiquetas de número de telefone, com opção Principal marcada, em moldura de apare
Foto: Divulgação/Apple

Um turista desembarca em Salvador com o celular sem sinal. Ele sabe que precisa de uma linha local, mas o caminho clássico é achar uma loja, entregar documento e esperar o chip de plástico ser registrado. Ao lado dele, outro viajante já comprou um plano de dados antes do voo, escaneou um QR code e está conectado desde que as portas do avião abriram. O aparelho é parecido e a linha serve para a mesma coisa. O que muda é onde a identidade dela mora.

O que é cada um

O chip físico, ou SIM card, é o cartãozinho que você encaixa numa bandeja lateral do celular. Ele guarda a identidade da sua linha: é por causa dele que a rede sabe quem você é, qual é o seu número e qual plano você contratou.

O eSIM faz o mesmo papel, só que sem o cartão. É um componente que já vem dentro do aparelho, e a identidade da linha é gravada nele por software. Pense na diferença entre uma chave de metal e um cartão de hotel que o recepcionista programa na hora: a porta é a mesma, muda a forma de entregar a permissão.

Como o eSIM funciona na prática

Para ativar, você escaneia um QR code ou digita os dados de ativação à mão. No iPhone, o caminho é Ajustes > Celular. No Android, o passo a passo varia um pouco por fabricante, mas a lógica é a mesma.

O que você instala é um perfil: o pacote digital com os dados da linha. Em vez de entregar um cartão físico, a operadora entrega esse pacote.

eSIMBOX eSIM, chip eSIM embutido em celulares: Celular de tela com lista de perfis eSIM em fundo cinza, ao lado de um cartão azul eSIMBOX com chip desenhado.
Foto: esim.box

O que muda no dia a dia

Compatibilidade. O eSIM depende de hardware. Ele existe no iPhone XS, no XR e em todos os modelos depois deles (de 2018 em diante), no Google Pixel 3 e mais novos e na linha Galaxy S20 em diante. Se o seu celular é mais antigo, só chip físico. Além disso, nem toda variante de um mesmo modelo traz eSIM, principalmente em mercados onde se preferiu dois chips físicos. Confira a versão exata que você vai comprar.

Operadoras. Claro, Vivo e TIM oferecem eSIM no Brasil, onde a tecnologia é permitida desde 2019.

Ativação. Com o chip físico, você precisa ter o cartão em mãos e encaixá-lo no aparelho. Com o eSIM, a linha chega por QR code, sem cartão e sem bandeja. Para quem vem de fora, as operadoras brasileiras costumam pedir presença em loja para verificar a identidade e ativar o eSIM, enquanto provedores internacionais vendem tudo online.

Viagem. É onde a diferença mais aparece. Provedores internacionais vendem planos de dados online, e você pode baixar o perfil antes de embarcar e ligar a conexão ao chegar. No Brasil, o turista que tenta comprar um chip físico às vezes esbarra no pedido de CPF no balcão, embora o regulador permita o cadastro só com passaporte. Com o eSIM de um provedor internacional, o cadastro costuma ser online, com os dados do passaporte.

Roubo ou perda. Com o chip físico, um ladrão pode tirar o cartão e colocá-lo em outro aparelho. O eSIM não se arranca com um clipe, porque está dentro do celular. Mesmo assim, o caminho certo é avisar a operadora para bloquear a linha.

Quando cada um compensa

O eSIM leva vantagem quando você viaja, quer resolver tudo sem ir a uma loja ou tem um celular recente. Para turistas em roteiros de cidade, ele costuma ser a escolha mais simples, porque dispensa a fila e o problema do CPF.

eSIM, chip eSIM embutido em celulares: Pequeno chip metálico retangular de contatos dourados equilibrado sobre a ponta de um dedo, com fundo desfocado.
Foto: tecnoblog.net

O chip físico continua mais prático em alguns casos:

  • seu aparelho é antigo e não tem eSIM;
  • você vai ficar muito tempo no mesmo lugar e quer um número brasileiro de um chip comprado no balcão;
  • você usa muito dado por longos períodos, caso em que o chip físico pode sair mais barato.

Um detalhe para quem visita o Brasil: o eSIM de um provedor internacional costuma ter o mesmo desempenho de um chip local, porque os provedores compram dados das mesmas redes de Claro, Vivo e TIM. A diferença está mais na cobrança, com pacotes fixos de dados ou planos ilimitados com velocidade reduzida após um limite diário, do que na qualidade do sinal.

Antes de comprar ou trocar de aparelho

  1. Confira se o modelo exato que você vai comprar tem eSIM, e não só a linha dele.
  2. Pergunte à operadora se ela oferece eSIM para o seu plano e como é a ativação.
  3. Guarde o QR code que recebeu até a linha estar funcionando.
  4. Se for ficar com o celular antigo como reserva, lembre que ele só aceita chip físico se for anterior à era do eSIM.

No fim, o chip de plástico tende a ir parar na gaveta, ao lado de carregadores antigos. Enquanto isso, a linha do celular novo já funciona, e ninguém precisou abrir bandeja nenhuma.

Fontes: Yesim, Brazil Safe Travel

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