Análise: Googlebooks chegam às lojas com boa ideia, mas com apps e integrações ainda por ajustar

Os laptops Android do Google funcionam bem com o celular certo, mas os primeiros dias de uso mostram exigências, ausências e retrocessos em relação aos Chromebooks.

Alexandre Soares5 min de leitura
Google Googlebook: Notebook escuro aberto com tela mostrando busca do Google e widgets, segurado por uma pessoa, em foto desfocada ao fundo
Divulgação/Google

Os primeiros Googlebooks foram à venda no domingo (4 de outubro). Depois de cerca de 24 horas com os cinco modelos de teste, o saldo inicial é de uma plataforma empolgante, mas ainda mal acabada.

O Googlebook é um laptop construído sobre o Android, com a proposta de ser o computador de quem usa celular Android. A ideia central é fazer os dois aparelhos conversarem: hotspot instantâneo, notificações no laptop, acesso aos arquivos do telefone, transmissão de apps do celular para a tela do laptop e a possibilidade de continuar no computador uma tarefa começada no telefone.

O que funciona

A configuração é simples. O laptop pede que você escaneie um QR code, entre na conta Google e baixe apps que já estão no celular. Transmitir apps, receber notificações e puxar arquivos do telefone funcionam bem. O acesso aos arquivos, em particular, roda sem tropeços.

Há arestas. Os apps transmitidos às vezes aparecem com texto pixelado ou interface desproporcional, e animações e rolagem ficam um pouco mais lentas que nos apps nativos. Como existem duas gavetas de apps, vários programas aparecem duplicados, e nada impede de abrir a versão desktop e a versão mobile do mesmo app ao mesmo tempo, até no Chrome. Clicar numa notificação sincronizada, como a do Slack, pode abrir o app transmitido em vez da versão web ou nativa do laptop.

O Continue On, que fixa na barra de tarefas o app que você está usando no celular, é um recurso bacana, mas por enquanto serve sobretudo a Google Docs e Planilhas. Nem Google Maps nem Agenda sincronizaram nos testes.

Na Play Store, os apps agora recebem uma classificação de desktop em cinco categorias: feito para desktop, otimizado, compatível, melhor no site e feito para celular. Há poucos apps "feitos para desktop" além dos do próprio Google, com exemplos como CapCut Pad e BandLab. As categorias intermediárias parecem frouxas: o Apple Music é "otimizado", mas não responde ao clique direito do mouse; o Firefox é "compatível", mas ignora atalhos para criar, fechar e trocar de abas.

Google Googlebook: Notebook cinza-escuro aberto sobre mesa de madeira, em ângulo diagonal, com a tela exibindo widgets e ícones na área de trabalho
Foto: theverge.com

O Luminar, editor de fotos, mostra o que a plataforma quer atrair. O app foi reconstruído para o Googlebook e cumpre o padrão "Tier 1" do Google, com atalhos de teclado, janelas redimensionáveis e arrastar e soltar. Traz Generative Erase, HDR Merge e edição em lote, e aceita o Continue On. Há uma oferta temporária de 12 meses grátis, e depois uma compra única libera os recursos premium.

O primeiro limite: o celular

As integrações com o celular têm condições. Elas não funcionam em aparelhos com Android 16 ou anterior: o mínimo é o Android 17. Além disso, celulares Samsung não são suportados no lançamento. O suporte chegará aos Samsung compatíveis com Android 17 "nas próximas semanas".

Na prática, no início das vendas, a grande maioria dos usuários de Android não consegue usar os melhores recursos da plataforma. Quem tem um Samsung precisa esperar a liberação.

O segundo limite: o Chromebook fazia mais

No uso, o Googlebook lembra um Chromebook rápido com integrações novas. Para quem gosta de uma experiência simples, centrada na web, isso não é um problema, mas vem junto com hábitos antigos do ChromeOS: o Chrome continua sem separar de verdade as contas Google. Dá para entrar com várias contas, mas navegação, favoritos e configurações não ficam isolados.

Google Googlebook: Captura de tela da área de trabalho com gaveta de aplicativos, busca e janela de arquivos sobre fundo lilás
Foto: theverge.com

Há também retrocessos. No Googlebook, só PWAs (sites instaláveis como apps) consideradas "compatíveis" podem ser instaladas. O Slack não se enquadra, embora funcione normalmente no Windows e no ChromeOS. No ChromeOS, o Chrome permite a instalação manual mesmo de sites que não são PWAs, e esse recurso chegará ao Chrome do Googlebook "em breve".

Sobre o Slack, há relatos divergentes: em um teste, o app não pôde ser instalado no Googlebook nem em dispositivos Android; em outro, depois de várias tentativas e de recomeçar pelo slack.com, o Chrome acabou oferecendo a instalação. Em ambos os casos, o processo não foi tão direto quanto nos Chromebooks.

Com o Linux, o quadro é parecido. Os Chromebooks ganharam apps Linux em 2018, e isso virou um trunfo para quem precisava de programas completos de desktop. No Googlebook há um app Terminal com ambiente Debian, mas pouca documentação. Apps gráficos podem rodar, embora não sejam o foco desta versão inicial. Nos testes, eles aparecem dentro de uma única janela do Terminal, sem janela própria nem item na barra de tarefas, e o GIMP apresentou problemas de confiabilidade.

Há ainda um alerta para os modelos com chips Intel, que podem ter dificuldade com apps Android "complexos".

O que isso significa para quem pensa em comprar

O quadro é de uma plataforma com uma proposta clara, a integração entre laptop e celular Android, mas que no início depende de condições do telefone e perdeu parte do que o Chromebook oferecia em PWAs e Linux. Preço e disponibilidade no Brasil não constam nas informações divulgadas até agora.

O Slack ilustra bem o momento: um app de trabalho que roda no Windows e no ChromeOS, mas que não se instala de forma confiável no laptop novo do Google. A correção está prometida para "em breve".

Fontes: The Verge, 9to5Google, 9to5Google, 9to5Google

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