Os cinco primeiros Googlebooks passaram por uma semana de testes e a conta começou a aparecer. A bateria não entrega as 14 horas prometidas pelo Google quando o teste é mais exigente, e quem usa os aparelhos no dia a dia relata uma rotina de frustrações, decepções e perplexidade com o software.
Para quem pensa em trocar o Chromebook ou o notebook com Windows por um Googlebook, o recado é direto: o hardware chega pronto, mas o software e a promessa de integração com o Android ainda não. Preço e disponibilidade no Brasil ainda não foram informados.
O quadro: máquina boa, sistema cru
O hardware vai de bom a excelente. Nos benchmarks, os Googlebooks seguram a comparação com os melhores notebooks Windows e com os MacBooks, principalmente o Dell XPS Googlebook e o HP Googlebook 14, ambos com Snapdragon X Elite. Mesmo sem impressionar de cair o queixo, estão bem acima dos melhores Chromebooks.
O ponto fraco é o sistema. Parte dos problemas é sistêmica no Android, que não nasceu para mouse, teclado e janelas.
Apps: o acervo que falta e o que sobra
Há dois problemas diferentes aqui. O primeiro é o previsível: não há a suíte Adobe nem o acervo de décadas de programas de Windows e macOS. Photoshop e Lightroom existem em versão móvel, aceitável para edição simples, mas um notebook Windows barato com os apps de desktop de verdade ainda leva vantagem. O Linux também não é a saída que parecia: o Slack para Linux pode ser instalado por uma máquina virtual Debian no Terminal, mas, até agora, isso não se mostrou uma alternativa viável. E o suporte a apps Linux e web é menor do que o do ChromeOS.
O segundo problema é mais incômodo: os apps que existem. A base é o Google Play, onde a qualidade varia muito. Como paliativo, o Google criou cinco rótulos: "Feito para celular", "Melhor no site", "Compatível com desktop", "Otimizado para desktop" e "Feito para desktop". Quem aplica os rótulos é o próprio Google, sem controle dos desenvolvedores, e a Play Store não leva você à versão web dos apps de que ela mesma tenta afastá-lo.
Na prática, os exemplos são irregulares:
- Telegram: no app Android, a tecla Enter não envia mensagem; a versão web às vezes se comporta mal ou trava.
- Slack: o app é ruim em qualquer tela que não seja a de um celular, e a versão web não consegue ser instalada como app.
- Signal: liga-se ao celular sem esforço, mas exige Ctrl+Enter para enviar e não deixa selecionar texto, porque arrastar o mouse rola a tela.
- Netflix e outros streamings: abrem em tela cheia, no estilo tablet, e o modo janela fica escondido na barra superior. Baixar filmes para viagem funciona.
- Spotify: vem marcado como "otimizado", mas a interface de celular escala pior do que num dobrável.
Tem mais. Muitos apps não mostram o conteúdo enquanto você redimensiona a janela, o que num laptop parece defeito. YouTube e Mensagens escalam melhor. E, quase sempre, a experiência favorece a tela de toque. A impressão geral é a de um tablet Android fingindo ser notebook.
Bateria: 14 horas com asterisco
O Google promete pelo menos 14 horas. O número vem de um teste leve: brilho mínimo de 100 nits, tema escuro, modo de economia de bateria e Wi-Fi usado apenas para navegar.





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