Explicamos

A diferença entre 60, 120 e 144 Hz

Passar de 60 para 120 Hz é um salto que se nota; de 120 para 144 Hz, o ganho é bem mais curto

Alexandre Soares4 min de leitura
taxa de atualização de telas de celular (60, 120 e 144 Hz): Render de celular prateado em ângulo, com tela em degradê rosa e azul mostrando ícones de aplicativo
Foto: freepik.com

Você compara dois celulares quase idênticos, numa loja ou num marketplace. Mesma câmera, mesma memória, mesmo processador. Na ficha técnica, uma linha muda: um tem tela de 60 Hz, o outro, de 120 Hz, e o segundo custa mais. Você pergunta o que isso muda no uso e a resposta vem em uma palavra: "fluidez".

Vamos destrinchar o que esse número quer dizer e para quem ele serve.

O que é hertz, afinal

Hertz (Hz) mede quantas vezes por segundo algo se repete. Numa tela, é quantas vezes a imagem é redesenhada a cada segundo. Uma tela de 60 Hz atualiza 60 vezes por segundo, uma de 120 Hz atualiza 120 vezes, e uma de 144 Hz, 144 vezes.

Pense num caderninho de desenhos que você folheia com o polegar, o flipbook. Com 60 folhas para cada segundo de animação, o movimento já parece contínuo. Com 120 folhas no mesmo segundo, cada passo do desenho é menor e o movimento fica mais suave. Com 144, a suavidade aumenta um pouco mais, mas o acréscimo é pequeno perto do que já veio antes.

Onde você percebe

A diferença aparece quando algo se move rápido ou quando você interage com a tela:

taxa de atualização de telas de celular (60, 120 e 144 Hz): Celular de tela curva inclinado sobre superfície cinza, mostrando a tela com horário e fundo em degr
Foto: stablediffusionweb.com
  • Rolagem: ao deslizar o dedo numa rede social, num site ou nos menus, o texto em movimento fica mais fácil de acompanhar.
  • Movimento: objetos que cruzam a tela, como a câmera girando num jogo, deixam menos borrão.
  • Resposta: em jogos, a imagem acompanha o que você fez com mais rapidez, e o controle parece mais direto.

Em filmes e séries, quase nada muda. O cinema costuma trabalhar com 24 quadros por segundo, e uma tela mais rápida não inventa quadros que o vídeo não tem. Vídeos comuns seguem a mesma lógica: a taxa de quadros é definida na gravação.

O detalhe que engana

A tela só mostra o que o aparelho entrega. Se um jogo gera 60 quadros por segundo (fps, de frames per second), um monitor de 144 Hz não transforma isso em 144. Para aproveitar a taxa alta, o jogo precisa produzir quadros nesse ritmo, e o aplicativo ou o sistema também precisam estar preparados.

Os saltos tampouco valem o mesmo. Ir de 60 para 120 Hz dobra a quantidade de atualizações. De 120 para 144 Hz, o aumento é de 24 atualizações por segundo, uma fração menor. Por isso o primeiro salto costuma ser o mais evidente, e o segundo pede um olho mais treinado.

O custo que não aparece na etiqueta

Redesenhar a imagem mais vezes exige mais do aparelho, e em celulares isso tende a pesar na bateria. Por isso muitos modelos usam taxa variável (também chamada de adaptativa ou VRR, de variable refresh rate): a tela sobe quando você rola ou joga e desce quando está parada, mostrando um texto ou uma foto. Vale conferir se o aparelho que você quer tem esse recurso.

No computador e no console, a conta é outra. Não adianta um monitor de 144 Hz se a placa de vídeo não consegue gerar quadros suficientes. Também é preciso olhar o cabo e a porta: nem toda conexão de vídeo aceita taxas altas na resolução que você quer. E o sistema (Windows, PlayStation, Xbox) precisa estar configurado para usar a taxa mais alta, o que nem sempre vem ligado de fábrica.

taxa de atualização de telas de celular (60, 120 e 144 Hz): Celular de tela fina e borda escura, apoiado em suporte, com papel de parede roxo e rosa, visto em d
Foto: freepik.com

Guia rápido para quem vai comprar

Celular: é onde a taxa alta mais aparece no dia a dia, porque você toca e rola a tela o tempo todo. Se a diferença de preço for pequena, 120 Hz costuma compensar. Se o orçamento está apertado, abrir mão dela para ganhar em câmera, bateria ou memória pode fazer mais sentido.

Monitor gamer: quem joga títulos competitivos, em que cada instante conta, é quem mais ganha com 120 ou 144 Hz, desde que o computador acompanhe. Para planilha e texto, 60 Hz resolve.

TV para PS5 ou Xbox: se você joga bastante e quer taxas altas, confira na ficha técnica se o painel e a entrada HDMI aceitam 120 Hz, e se os jogos que você tem oferecem esse modo. Para filmes e streaming, 60 Hz basta.

Quando 60 Hz ainda basta: navegar, ver vídeo, trabalhar no computador, jogar títulos mais calmos ou ter um celular reserva. Nada disso fica ruim por causa da taxa.

O teste que não custa nada

Se puder, peça na loja para ver os dois aparelhos lado a lado. Abra uma página longa, arraste o dedo devagar e depois rápido, primeiro no de 60 Hz e depois no de 120 Hz. Se o seu olho percebe a diferença, ela tem valor para você. Se precisou se esforçar para notar, o dinheiro pode ir para outra linha da ficha técnica.

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