Fim de tarde, o ventilador de teto girando devagar e a voz do atendente passando por cima do barulho dos cliques: "Sete! O sete está quase no fim!"
Ninguém no salão levanta a cabeça. Quem está no computador 7 sabe que é o 7 e já está fazendo a conta do que dá para render com o tempo que sobrou. Dá para terminar a rodada. Dá para salvar o trabalho. Dá, com sorte, para fingir que não ouviu.
A lan house começava na porta. Tinha vidro com adesivo de jogo, uma baforada de calor de gabinete ligado desde cedo e um caderninho (ou um papel colado no balcão) onde você escrevia o nome para entrar na fila. A máquina boa, a do canto, com o monitor que não tremia, nunca estava livre. Você esperava em pé, de olho no ombro de quem jogava, tentando adivinhar se a pessoa já estava com cara de quem ia levantar.
O cheiro era uma mistura que a gente reconheceria de olhos fechados: salgadinho de pacote, refrigerante de garrafa, poeira quente. Ninguém ligava de teclar com os dedos meio alaranjados. O fone era enorme, com microfone dobrável e uma espuma que já esfarelava. Mesmo assim, colocar o fone era o momento em que o salão sumia e o jogo aparecia.
E aí vinha a parte nova: o tempo tinha preço. Em casa, quando existia computador, ele era da família, e a internet vinha junto com o telefone e a conta do fim do mês. Na lan house, o relógio ficava ali, no canto da tela, e cada minuto que passava era dinheiro saindo do bolso. Dinheiro da mesada, do lanche que ficou para outro dia.






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