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O que fazer depois de clicar em link suspeito

Do clique por impulso ao aviso ao banco: os passos que reduzem o estrago, e o que muda se você chegou a digitar dados.

Alexandre Soares5 min de leitura
Phishing golpe de encomenda SMS: Mãos tocando a tela de celular escuro inclinado, com luzes desfocadas ao fundo à noite
Foto: em.com.br

Chega uma mensagem no celular: sua encomenda está retida e falta pagar uma taxinha para liberar a entrega. Você toca no link, aparece uma página estranha pedindo CPF e você fecha tudo na hora. Fica o frio na barriga. O que acabou de acontecer? Ainda dá tempo de fazer alguma coisa?

Dá. E o que você faz nos minutos seguintes ao clique pesa bastante na hora de evitar que o susto vire prejuízo.

O que é esse golpe, afinal

A mensagem da encomenda é um exemplo de phishing: uma fraude digital que induz a vítima a entregar dados pessoais, bancários ou de acesso a serviços. O nome vem do inglês "fishing", pescaria, e a lógica é essa mesmo. O golpista joga a isca em massa e espera alguém morder.

A isca chega por SMS, e-mail, aplicativo de mensagem, rede social, ligação, QR Code ou página falsa que imita empresa conhecida. O roteiro costuma ser parecido: urgência ("sua conta será suspensa em duas horas"), promessa de vantagem ("você tem um reembolso disponível") ou alerta de problema ("detectamos um atraso no pagamento").

O clique sozinho é grave?

O clique já é um risco, mesmo que você não digite nada. Pense no link como a porta de uma loja falsa: ao abri-la, você entra num ambiente montado pelo golpista. Dependendo do que ele preparou, a página pode direcionar a pessoa a um ataque virtual que rouba dados, inclusive bancários.

O perigo maior aparece quando você digita informações na página, porque é para isso que ela existe. Também vale desconfiar se algo foi baixado ou instalado no aparelho sem você pedir. Por isso, mesmo depois de fechar a página, os passos abaixo valem a pena.

Os primeiros minutos

Para quem clicou, a ordem recomendada é simples:

Phishing golpe de encomenda SMS: Mão segurando celular preto com mensagem de texto na tela escura, em ambiente interno com parede de concreto
Foto: tecnoblog.net
  • Não responda e não clique em novos links. Interrompa o contato.
  • Feche o site e desconecte o celular da internet temporariamente.
  • Rode o antivírus. Veja se ele está funcionando e atualizado, e faça uma varredura completa.
  • Troque as senhas de e-mail, redes sociais e contas bancárias, usando um aparelho seguro. Se o celular estiver sob suspeita, use outro.
  • Ative a autenticação em duas etapas nas contas que oferecem o recurso.
  • Mantenha o sistema atualizado, seja Android, iOS ou outro.

A ordem importa: trocar senha em um aparelho possivelmente comprometido é como mudar a fechadura com o ladrão olhando por cima do seu ombro.

Se você digitou dados ou pagou

Aqui o ritmo precisa ser mais rápido. Cada ação se liga ao tipo de dado exposto:

Dados bancários ou de cartão. Avise o banco e a bandeira do cartão, só pelos canais oficiais: telefone, site oficial indicado no verso do cartão, aplicativo do banco ou uma agência. Nada de ligar para número que veio na própria mensagem. Se houver transações ou cadastros que você não reconhece, conteste.

Senhas. Troque imediatamente as das contas afetadas, começando pelo e-mail e seguindo para redes sociais e aplicativos financeiros.

Conta de mensagens ou rede social perdida. Avise seus contatos por outro meio. Assim ninguém cai em um golpe aplicado em seu nome.

Pagamento feito. Fale com o banco para tentar cancelar o pagamento ou as movimentações. Guarde protocolos e comprovantes.

Phishing golpe de encomenda SMS: Duas mãos segurando e digitando em celular escuro, visto de lado, com fundo desfocado
Foto: olx.com.br

Boletim de ocorrência e provas

O registro pode ser presencial, em uma unidade da Polícia Civil, ou on-line, pela delegacia virtual do estado onde você mora. Quanto mais material, melhor: prints das mensagens, número usado pelo golpista, data e horário do contato, o que foi dito, registros de chamadas, valor do prejuízo e para quem o dinheiro foi transferido.

Se for o caso, a orientação é formatar o aparelho somente depois de ir à delegacia ou quando a polícia sugerir. Siga também as recomendações policiais para preservar sua segurança.

Depois disso, vale vigiar. Acompanhe suas contas com frequência e consulte de tempos em tempos o Registrato, serviço do Banco Central que mostra contas bancárias e empréstimos ligados ao seu CPF.

Para a próxima vez

Alguns sinais costumam denunciar a mensagem: pedido de senha, código de autenticação ou dado bancário; aviso de bloqueio imediato; prêmio ou reembolso inesperado; erros de ortografia; link encurtado ou endereço diferente do canal oficial; tom alarmista que empurra você a responder rápido.

O hábito mais eficiente é não usar o link recebido. Digite o endereço da empresa direto no navegador ou abra o aplicativo oficial. Em páginas de pagamento, confira se o endereço é exatamente o da marca (uma letra a mais já é sinal de alerta), se começa com HTTPS e, quando possível, se aparecem o nome e o CNPJ de quem vai receber.

De volta ao celular

Voltemos à mensagem da encomenda. Agora ela está apagada, o aparelho ficou um tempo sem internet, as senhas foram trocadas e o banco já sabe do episódio. Tudo isso em poucos minutos. Do outro lado, o golpista segue esperando alguém que responda.

Fontes: GOV.BR, GOV.BR, A União

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