A Meta desativou o recurso que permite compartilhar conversas com o Muse, seu assistente de IA, depois que pesquisadores listaram mais de 6.800 links de conversas que qualquer pessoa conseguia encontrar com uma busca simples. As conversas incluíam usos pessoais e profissionais, e as fontes não trazem nenhuma informação específica sobre usuários no Brasil.

O Muse é a plataforma de IA com agentes que a Meta apresentou no mês passado. O recurso criava uma página com a conversa, acessível a quem tivesse o endereço. O problema estava em como esse endereço era montado.

Como o vazamento aconteceu

Todos os links compartilhados usavam o mesmo domínio e levavam, no subdomínio, o título da conversa (uma frase curta sobre o assunto) seguido de um ID aleatório. Esse endereço ficava registrado em DNS público, que funciona como uma lista telefônica da internet: mostra como os nomes de sites correspondem aos endereços que o navegador entende.

Uma busca passiva nesses registros devolvia milhares de endereços de uma vez, listados por nome. Só o título já costumava revelar o que havia na página, e o endereço obtido ali era suficiente para reconstruir o link completo.

O que havia nas conversas

Entre os exemplos encontrados:

  • um pedido de empréstimo de um pequeno empresário;
  • um alerta de fraude bancária com dados parciais de conta;
  • o calendário anual de funcionários de uma empresa;
  • a revisão de receita de uma empresa de marketing;
  • horários de reuniões e anotações para a conversa de um candidato a vaga com um laboratório de IA;
  • outros documentos internos de empresas.

Não é a primeira vez que um recurso de compartilhamento de IA deixa conversas mais públicas do que o previsto: chats do ChatGPT, do Claude e do Grok já foram parar no Google.

A resposta da Meta

A porta-voz do Muse, Tracy Clayton, afirmou que o recurso permite compartilhar conteúdos específicos do assistente, o que gera uma página acessível a quem tem o link. A empresa disse que pausou a função enquanto analisa o relatório e considera mudar a forma como esses links podem ser descobertos.

Depois da atualização da Meta, os pesquisadores não conseguiram abrir uma amostra dos links que tinham acessado antes.

O que ainda não se sabe

Não há informação sobre se alguém além dos pesquisadores acessou as conversas, nem sobre quando o compartilhamento volta ou como será refeito. Também não está claro se todos os links já criados foram desativados.

A explicação da própria Claroc resume o problema: o endereço de cada conversa era escrito em um registro público, listado por nome, como um sumário, e uma única busca bastava para ler o índice inteiro.