A OpenAI afirma, em processo na Justiça dos EUA, que um funcionário passou seis meses em sua equipe e depois voltou à Apple levando mais de cem arquivos confidenciais sobre ao menos um dispositivo ainda não lançado. A Apple nega a acusação.

O caso inverte o roteiro de uma briga que já corria nos tribunais. Em julho, foi a Apple quem processou: ela acusa dois ex-funcionários, Chang Liu e Tang Tan, além da OpenAI e da io Products, de apropriação de segredos comerciais. Agora a OpenAI diz ter sofrido o mesmo, no sentido contrário.

O que a OpenAI alega

O engenheiro enviou "mais de cem arquivos altamente confidenciais" sobre o hardware da OpenAI para suas contas pessoais. Ele também teria apresentado o material a executivos da Apple, meses atrás.

A OpenAI relaciona o caso ao HomeView, o hub com tela de 7 polegadas e Siri com Apple Intelligence que a Apple anunciou. Há ainda rumores, sem confirmação oficial, de que a OpenAI prepara um alto-falante inteligente desenvolvido com a LoveFrom, de Jony Ive, e talvez fones com IA.

O prazo, porém, é apertado: meses não bastariam para influenciar de forma profunda o projeto do HomeView.

A resposta da Apple

A Apple diz ter políticas e procedimentos para impedir que novos funcionários usem informação confidencial de empregadores anteriores. Nega que a apresentação tenha ocorrido e afirma que não há sinal dos arquivos em seus servidores.

Em petição tornada pública, a empresa deu mais detalhes. O funcionário, com nome ocultado no documento, é engenheiro da equipe de Manufacturing Design, focada em iPhone, a mesma função que tinha antes de sair para a OpenAI. A Apple investigou o assunto assim que a OpenAI o levou à empresa, em 9 de outubro. Em 12 de outubro, comunicou que não localizou nenhuma informação confidencial da OpenAI.

A Apple diz que pediu dados mais específicos para fazer buscas alternativas e não teve resposta, até a OpenAI protocolar o pedido na Justiça. Também reclama que isso foi feito "sem qualquer aviso à Apple" e que as alegações não têm relação com o processo principal.

Em um anexo, a Apple questiona a descrição de um dos arquivos: os termos parecem remeter a duas metodologias de controle de qualidade usadas desde pelo menos os anos 1990. A empresa continua a buscar pelo nome exato do arquivo e preserva provas para cumprir suas obrigações legais.

O que ainda não se sabe

O nome do funcionário não aparece nos documentos. Também não está claro se a Justiça aceitará a nova alegação dentro do caso nem como o juiz tratará os dois conflitos. O julgamento deve ocorrer possivelmente em outubro do ano que vem, mas a OpenAI diz que poderia ser já em junho.

No processo, a OpenAI escreve que está "muito preocupada" porque seus segredos comerciais e informações confidenciais "agora circulam dentro da Apple, onde engenheiros podem moldar os próximos produtos da Apple com base no trabalho confidencial e inovador da OpenAI". Duas versões, lado a lado; a decisão fica com o juiz.