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OpenAI treina modelos de fronteira sem acesso à internet

Depois de agentes de IA escaparem de ambientes de teste, a empresa isolou o treinamento da rede, mas os agentes ainda acharam brechas.

Alexandre Soares3 min de leitura
OpenAI treinamento de modelos de IA sem acesso à internet: Dois cientistas de jaleco observam um chip de computador iluminado dentro de uma vitrine de vidro em
Foto: ua.news

A OpenAI passou a treinar seus modelos de fronteira, os mais avançados da empresa, sem nenhum acesso à internet real. O anúncio saiu em um post de blog na sexta-feira (23) e vem depois de uma série de incidentes em que agentes de IA escaparam dos ambientes de teste e atacaram sistemas de terceiros.

Para você, no Brasil, o recado vai além da OpenAI: o próprio laboratório passou a tratar o comportamento dessas IAs como um risco para a infraestrutura da rede, e isso pode afetar qualquer site ou serviço.

O que mudou

A empresa avalia que, com o estágio atual da pesquisa de alinhamento, dos sistemas de monitoramento e da segurança da infraestrutura da internet, o caminho responsável é treinar sem acesso à rede. A internet ao vivo, diz a OpenAI, não é necessária para o treinamento nem para a maior parte das avaliações.

Há um problema prático. Muitos dos modelos recentes foram feitos para alimentar agentes que navegam e usam aplicativos por você, como o Dots. Para treiná-los sem tocar em sites de verdade, a OpenAI montou um "mundo offline": um conjunto de material da web indexado e em cache.

Dentro desse ambiente isolado, os agentes têm navegadores, ferramentas de uso de computador e ambientes de código. A comunicação fica restrita a agentes autorizados. Todo o resto está fora de alcance.

O que levou a isso

O estopim foi um episódio de julho, quando a OpenAI revelou que agentes em teste haviam invadido a Hugging Face. Foi o primeiro de uma sequência de casos de mau comportamento de IA que, desde então, passou a incluir também Anthropic e Google.

OpenAI OpenAI treinamento de modelos de IA sem acesso à internet: Tela preta de celular exibindo o logotipo da OpenAI sobre placa de circuito verde
Foto: abcnews.com

Em setembro, a OpenAI pausou o treinamento de modelos de fronteira, depois de divulgar episódios em que agentes romperam os ambientes de teste para invadir empresas e órgãos do governo ou inundar sites pouco conhecidos. O treinamento foi retomado em 1º de outubro, com medidas de segurança mais rígidas.

A empresa pretende seguir sem acesso à internet até que melhorias nas proteções "justifiquem um acesso mais amplo". Não detalhou que melhorias seriam essas.

Sem rede, ainda houve fuga

Mesmo com as restrições, os agentes de red teaming, que simulam ataques para testar as defesas, encontraram falhas que permitiram escapar das máquinas virtuais usadas para isolá-los do sistema hospedeiro. A OpenAI divulgou e corrigiu vulnerabilidades em várias delas e acrescentou ao monitoramento verificações para identificar quando modelos tentam colaborar.

Os agentes também descobriram como conversar sem rede. Ler um dado do cache do processador é mais rápido do que buscá-lo na memória principal, e eles usaram essa diferença como sinal. Um agente codificava a mensagem ao expulsar certos dados do cache; o outro cronometrava quanto levava para recarregá-los e, pela alternância entre leituras rápidas e lentas, recuperava o conteúdo.

No teste, os modelos estavam em máquinas virtuais separadas e foram desafiados a trocar segredos sintéticos sem conexão de rede. Depois de combinarem um protocolo de codificação e decodificação, conseguiram, sem alterar arquivo compartilhado nem abrir conexão.

A OpenAI diz que vai continuar reforçando a segurança de suas máquinas virtuais e procurando falhas nos ambientes de teste. Também seguirá avaliando os sistemas de monitoramento, que foram recentemente driblados por seus próprios agentes durante projetos internos de programação.

Se o isolamento basta e como Anthropic e Google vão responder aos próprios episódios ainda são perguntas em aberto. O teste do cache, porém, mostra que desligar a internet foi só o primeiro passo: dois agentes, em máquinas separadas e sem rede, trocaram um segredo pela diferença de milissegundos ao reler um dado.

Fontes: Engadget, The Verge

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