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Winamp segue vivo, e a história do player explica o apego

Criado em 1997, o programa de skins e equalizador ainda recebe versões, mas hoje está nas mãos de outra empresa.

Alexandre Soares3 min de leitura
Winamp Winamp, player de áudio da Nullsoft: Janelas do Winamp com equalizador e playlist de Arctic Monkeys em laranja sobre fundo azul e laranja.
Foto: popsci.com

A janela cinza com botões prateados, números verdes de LED e o equalizador gráfico ainda é inconfundível. E o Winamp, ao contrário do que muita gente imagina, não foi aposentado de vez: a versão 5.9.2 saiu em 26 de abril de 2023, depois de cinco anos de pausa, e o desenvolvimento foi retomado.

Quem cuida do programa hoje é o Winamp Group, antes chamado Llama Group, que descende da Radionomy, a empresa belga que comprou o player em 2014. O modelo é freemium: dá para usar sem pagar, com extras à parte. Ainda não há informação confirmada sobre preço no Brasil nem sobre tradução para o português na versão atual.

De onde veio

O Winamp nasceu em 1997, criado por Justin Frankel e Dmitry Boldyrev, que tinham sido estudantes da Universidade de Utah. A primeira versão, lançada em 21 de abril daquele ano como freeware, era bem mais simples do que a memória sugere. O nome vem de "Windows" e "AMP", o motor de reprodução de MP3 que eles integraram à interface.

Não foi o primeiro tocador de MP3 para Windows: o título é do WinPlay3. Mas o Winamp chegou na hora certa. A Nullsoft, empresa de Frankel, foi registrada formalmente em janeiro de 1998, quando o programa passou a ser shareware de US$ 10 (cerca de R$ 51). O suporte a plugins veio ainda em 1998, e as skins logo depois: bastaram algumas semanas para a internet se encher de interfaces feitas por usuários, muitas delas de gosto duvidoso.

A versão 2.0, lançada em setembro de 1998, unificou o visual: equalizador e lista de reprodução passaram a aceitar o mesmo tema da janela principal. Em 2000, o programa já somava mais de 25 milhões de usuários registrados.

Winamp Winamp, player de áudio da Nullsoft: Captura de tela do Winamp com janela de preferências de skins e a playlist com faixas do Menomena em azul.
Foto: popsci.com

Havia ainda a abertura sonora com a frase "It really whips the llama's ass", inspirada em Wesley Willis. A lhama virou mascote da Nullsoft.

Por que ficou na lembrança

O programa era leve, personalizável em quase tudo e tinha plugins para formatos, efeitos e visualizações. O Advanced Visualization Studio, por exemplo, deixava qualquer pessoa montar seus próprios gráficos que reagiam à música, usando uma interface simples em vez de código. Esse pacote explica a fidelidade de uma geração de usuários.

O caminho empresarial

Em 1º de junho de 1999, a AOL comprou a Nullsoft. Há divergência nos valores registrados: uma versão fala em US$ 80 milhões pelo Winamp e pela Nullsoft; outra, em US$ 400 milhões pela Nullsoft e pela Spinner.com juntas. As cifras podem se referir a negócios com escopos diferentes, e não há como cravar qual é a correta.

Winamp Winamp, player de áudio da Nullsoft: Janela principal do Winamp com biblioteca de mídia, logotipo dourado e a ilustração de uma lhama em cinza.
Foto: ultahost.com

A relação com a gigante nunca foi tranquila: a Nullsoft lançou o cliente Gnutella em 2000, e a AOL tentou limitar sua distribuição. O escritório de San Francisco fechou em dezembro de 2003, com a saída de Frankel e da equipe original.

A última versão feita pela AOL, a 5.666, é de 2013. Naquele ano o serviço foi dado como descontinuado, e em 14 de janeiro de 2014 a Radionomy anunciou a compra do Winamp e do Shoutcast, sem divulgar valores.

Em setembro de 2024, o Winamp Group liberou parte do código-fonte da versão para Windows, sob licença própria que permite ver o código, mas não é de código aberto no sentido estrito. O repositório foi apagado pouco depois, após críticas à licença e à presença de código proprietário.

O que ainda não se sabe

Não há, nas informações disponíveis, um calendário de próximas versões nem uma posição sobre o que será do código-fonte. Também falta confirmar preço e idioma para o Brasil.

Conversões em reais feitas pelo dólar PTAX do Banco Central de 16/10/2026 (US$ 1 = R$ 5,08), apenas como referência: o preço no Brasil pode ser outro.

Fontes: Wikipedia, Wikipedia, Internet Archive

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