Análise

Samsung aposta em IA para deixar a TV mais inteligente

A gerente de produtos de TV da Samsung Brasil diz que a disputa deixou de ser só imagem e passou a incluir interação e personalização.

Alexandre Soares4 min de leitura
Samsung Smart TV da Samsung com inteligência artificial: TV preta vista em diagonal, com tela roxa e laranja e pés pretos, sobre fundo cinza-azulado claro.
Divulgação/Samsung

Marina Correia, gerente de produtos de TV da Samsung Brasil, resumiu a virada que a indústria vive numa frase: a televisão está se tornando cada vez mais inteligente e conectada à rotina. A entrevista foi publicada em 15 de outubro de 2026.

A frase parece óbvia para quem já tem uma smart TV em casa. Mas ela diz algo sobre onde os fabricantes querem competir daqui para a frente.

O que mudou na conversa

Marina está à frente de uma das categorias mais tradicionais da indústria de tecnologia, num momento de profundas transformações. A evolução das TVs antes se concentrava principalmente em resolução, tamanho e qualidade de imagem. Hoje, a inteligência artificial amplia as possibilidades de interação e de personalização.

É uma mudança de vocabulário que acompanha uma mudança de estratégia. Durante anos, o argumento de venda cabia numa ficha técnica: mais polegadas, mais pixels, mais brilho. Esse jogo tem limite. Passada certa faixa de tamanho e de nitidez, a diferença entre um modelo e outro fica difícil de perceber na sala de casa, e é aí que o software entra como novo território de diferenciação.

O que isso muda na hora de comprar

Se a TV passa a ser vendida pela inteligência, a conta do consumidor também muda. Olhar só a tela deixa de bastar. Entram na comparação:

Samsung Smart TV da Samsung com inteligência artificial: TV preta de frente, com tela roxa e laranja, sobre pés pretos, em fundo cinza-azulado claro.
Divulgação/Samsung
  • como a TV responde quando você fala ou interage com ela;
  • quão úteis são as recomendações de conteúdo;
  • por quanto tempo o aparelho continua recebendo atualizações;
  • quais recursos de IA estão de fato disponíveis no modelo vendido no Brasil.

Os dois últimos pontos pesam mais do que parecem. Um recurso de software vive de atualização, e uma TV costuma ficar na parede por muitos anos. Não há informação sobre prazo de suporte nem sobre quais recursos chegam a quais modelos no mercado brasileiro. Antes de pagar por uma promessa de IA, vale confirmar o que está incluído no modelo que você está olhando.

Os prós

O lado bom do movimento é fácil de enxergar. Uma TV que se adapta ao uso, com interação mais natural e sugestões pensadas para cada pessoa, tende a facilitar a rotina. Em vez de navegar por menus e grades de aplicativos, você chega mais rápido ao que quer ver. Numa casa onde várias pessoas dividem o mesmo aparelho, personalização pode significar menos atrito.

Também há ganho de conveniência para quem não tem paciência com configuração: quanto mais a TV entende o contexto de uso, menos trabalho sobra para o usuário.

Os pontos de atenção

Personalizar exige conhecer. Para recomendar algo a você, a TV precisa saber o que você assiste, quando e com que frequência. Esse é o preço implícito de qualquer sistema que aprende com o uso, e ele levanta perguntas sobre privacidade e sobre o controle que o usuário tem sobre esses dados.

Samsung Smart TV da Samsung com inteligência artificial: Close da parte traseira da TV preta, com entradas USB, HDMI, LAN e antena, em fundo escuro.
Divulgação/Samsung

Quem compra uma TV com esse perfil deveria procurar, nas configurações do aparelho, o que pode ser desativado e o que fica ligado por padrão.

Há ainda a questão do custo. Sem preços nem disponibilidade no Brasil, não dá para dizer se os recursos de IA ficarão restritos a modelos mais caros ou se vão descer para as linhas de entrada.

Um produto maduro em reinvenção

Produtos maduros enfrentam sempre o mesmo problema: como justificar a troca de um aparelho que ainda funciona. Resolução maior foi a resposta por muito tempo. Agora, a resposta que a Samsung apresenta é a inteligência, com a TV deixando de ser apenas uma tela para se encaixar na rotina de quem mora na casa.

Se isso se traduz em ganho real ou em mais um rótulo de marketing depende do que chegar às lojas e de como esses recursos se comportam no dia a dia.

A sala de estar segue com a mesma tela escura pendurada na parede. O que a diferencia agora é o que ela aprende sobre quem está sentado no sofá.

Fonte: Samsung Newsroom Brasil

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