Quem espera a Black Friday para trocar de placa de vídeo tem motivo para rever os planos. Um levantamento de outubro feito em 10 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Austrália e Polônia, mostra o terceiro mês seguido de alta nos preços das placas, depois de agosto e setembro.

O método compara o modelo mais barato realmente disponível em estoque em cada país, em vez de uma média de todas as versões das fabricantes parceiras. Excluindo a RTX 5090, a variação média foi de 15% em agosto, 7% em setembro e 10% em outubro.

Os números de outubro

A GeForce RTX 5090, a placa mais cara da Nvidia, liderou: subiu 32% no mês. O modelo mais barato disponível nos Estados Unidos passou de US$ 6.890 em setembro para US$ 9.400. Na Alemanha, foi de € 5.640 para € 8.000, e na Polônia chegou a zł 38.000.

A RTX 5080 subiu 22% no mês. Nos Estados Unidos, o menor preço saltou de US$ 1.580 para US$ 2.200, com estoque restrito em algumas lojas. Na Alemanha, chegou a € 2.100.

AMD e Intel seguiram o mesmo caminho. No período analisado, a Radeon RX 9060 XT de 16 GB subiu 17%, a RX 9070 e a RX 9070 XT, 12% cada, e a Intel Arc B580, cerca de 10%.

Na média, as placas estão 44% acima do preço sugerido de lançamento, sem contar a RTX 5090, já com ajuste de câmbio e impostos locais. Nos Estados Unidos, a diferença chega a 57,6%; no Canadá, a 58,3%.

Por que está subindo

A explicação principal está na memória. Data centers de inteligência artificial consomem volumes enormes de DRAM, de memória de alta largura de banda e de armazenamento. Como esses produtos dão margens maiores, fabricantes como Samsung, SK hynix e Micron direcionam a produção para eles, e sobra menos para PCs.

Toda placa de vídeo depende de memória gráfica própria, do tipo GDDR6 ou GDDR7. Segundo a consultoria TrendForce, fornecedores vêm reduzindo a produção de GDDR6, enquanto a GDDR7 tem produção limitada porque as fábricas mais avançadas priorizam servidores. Os preços contratuais da DRAM subiram de 90% a 95% só no primeiro trimestre de 2026, a maior alta trimestral já registrada pela consultoria.

E no Brasil?

Os valores em dólar não servem para conta direta em reais, por causa de câmbio, frete e uma cadeia de tributos que inclui Imposto de Importação, IPI, PIS/Cofins e ICMS. Aqui, a RTX 5090, quando aparece à venda, passa de R$ 35 mil.

Houve um vaivém no imposto em 2026. Em 4 de fevereiro, a Resolução Gecex nº 852 elevou o Imposto de Importação de mais de mil itens, incluindo placas de vídeo. Em 27 de fevereiro, a Resolução Gecex nº 866 devolveu as placas de vídeo, processadores e placas-mãe às alíquotas anteriores. Ou seja, o imposto não explica a alta atual; a escassez de memória, sim.

O câmbio pesa no sentido de amplificar: placas são cotadas em dólar, e as lojas costumam reajustar quando chegam lotes novos.

Vale esperar a Black Friday?

As projeções não indicam queda. Para o quarto trimestre de 2026, a TrendForce estima alta de 10% a 15% na DRAM e de 15% a 20% na NAND, a memória dos SSDs. São altas menores que as do começo do ano, mas ainda altas. A consultoria também projeta que a fatia da produção destinada a PCs pode encolher em 2027.

O canal que fez o levantamento internacional resumiu dizendo não ver "luz no fim do túnel" e prevê ofertas de Black Friday entre as piores já registradas.

Na prática, a decisão depende da urgência:

  • Se o PC atende bem, adiar o upgrade tende a sair mais barato do que comprar no pico.
  • Se a placa quebrou, vale comprar o que resolve agora, com nota fiscal e garantia no Brasil, sem pagar por desempenho que não vai usar.
  • Na Black Friday, a regra é acompanhar o preço desde já em comparadores, porque descontos sobre preços inflados podem só devolver a placa ao valor de semanas atrás.
  • Usadas podem compensar, desde que o vendedor deixe testar e comprove a procedência.
  • Importar por conta própria costuma não valer: depois de tributos e frete, a diferença some, e a garantia nacional e o direito de arrependimento ficam pelo caminho.

Divergências: o título do levantamento repercutido fala em alta de 35% em três meses, mas a própria tabela soma cerca de 33% (15% + 7% + 10%, sem a RTX 5090); o texto usa "cerca de um terço". Outro resumo do mesmo levantamento cita 10% de alta em outubro sem a RTX 5090 e 11% com ela. O valor de "mais de R$ 35 mil" para a RTX 5090 no Brasil é estimativa de um site especializado, sem loja ou data específica. As projeções da TrendForce valem para contratos entre fabricantes e grandes compradores, não para o preço de prateleira.