Análise

LGA1700 com DDR4 deve voltar em 2027 e dar fôlego a quem não quer trocar a memória

A atualização de BIOS da Gigabyte para placas B760 e H610 indica novos processadores para o soquete de 2021, mas há limites e a Intel ainda não confirmou nada.

Alexandre Soares4 min de leitura
Intel soquete LGA1700 com memória DDR4: Render 3D de processador Intel Core em ângulo sobre uma placa de circuito com linhas verdes luminosas
Foto: notebookcheck.net

Na sexta-feira (9 de outubro de 2026), a Gigabyte anunciou atualizações de BIOS para toda a sua linha de placas Intel B760 e H610. O objetivo é preparar as placas para processadores LGA1700 que a própria fabricante diz serem "esperados para o início de 2027". Ela não revela quais são esses chips.

Para quem ainda roda uma placa dessas com memória DDR4, a notícia tem peso prático: a ideia é atualizar o firmware, encaixar o processador novo quando ele chegar e seguir em frente, sem trocar placa nem pente de memória.

Um soquete que parecia aposentado

O LGA1700 estreou em 2021 com a 12ª geração Alder Lake e tinha um trunfo: aceitava tanto DDR4 quanto DDR5, que na época era novidade. Em 2024, a Intel o abandonou e passou a uma plataforma só DDR5. Agora o formato duplo deve voltar ao centro da conversa.

Os relatos indicam que os novos chips aceitariam as duas memórias, mas ainda há divergência sobre o nome da série: ora aparece como Core 2000, ora como Core 200. Também circulam, como rumor e sem confirmação oficial, especificações de modelos Core 3, Core 5 e Core 7, entre eles um Core 7 de 20 núcleos (8 de desempenho e 12 de eficiência, 65 W) e um Core 3 de quatro núcleos, também de 65 W. Tudo isso deve ser lido como especulação até a Intel se manifestar.

O motor da história: a memória cara

O que ajuda a explicar a volta de um soquete de 2021 é o preço da RAM. Com a escassez de memória, a DDR5 ficou muito mais cara que a DDR4. Em um levantamento, um kit de 32 GB de DDR4 sai por US$ 210 (cerca de R$ 1.050), enquanto o de DDR5 passa de US$ 480 (cerca de R$ 2.390). Em outra comparação, o kit Corsair Vengeance de 32 GB custa US$ 620 (cerca de R$ 3.090) em DDR5 e US$ 260 (cerca de R$ 1.300) em DDR4, mais que o dobro. Os números não batem, mas a conclusão é a mesma: DDR5 está bem mais salgada.

Intel soquete LGA1700 com memória DDR4: Placa-mãe preta com detalhes laranja e azuis, inclinada, mostrando o soquete para processador e os slots de memória
Foto: techpowerup.com

O vice-presidente da Intel Robert Hallock falou do tema em agosto: "O LGA 1700 ainda é um bom soquete. Muita gente continua interessada em DDR4, então vamos continuar oferecendo, e você verá os preços se acomodarem com o tempo. Vão voltar ao normal. Esse é o plano." A Intel não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre o anúncio da Gigabyte, e o plano segue sem confirmação oficial.

A AMD faz um movimento parecido. Em agosto, a Gigabyte anunciou novas placas para o AM4, plataforma DDR4 da AMD, junto com o relançamento do Ryzen 7 5800X3D pelo seu 10º aniversário.

Os prós

O primeiro ponto a favor é o custo total. Trocar só o processador evita comprar placa nova e, principalmente, memória nova num momento em que ela está cara.

O segundo é o desempenho. A DDR4 é mais lenta, mas continua suficiente para a grande maioria dos jogos atuais. Testes indicam que a DDR5 entrega ganho de 1% a 10% em FPS, dependendo da resolução e da placa de vídeo usadas.

Os contras e as incógnitas

A lista da Gigabyte deixa de fora as placas Z690, Z790 e B660, que usam o mesmo soquete. Quem tem uma dessas não deve contar com o upgrade, ao menos pelo anúncio atual.

Intel soquete LGA1700 com memória DDR4: Render de processador Intel Core no centro de um fundo azul com circuitos eletrônicos desenhados ao redor
Foto: techpowerup.com

Há também o limite da própria plataforma. A DDR5 tem vantagens reais em velocidade e eficiência energética, e os chips seriam um novo refresh da arquitetura Raptor Lake, não uma geração nova. Quem busca o máximo de desempenho não vai encontrar isso aqui.

Por fim, falta o essencial. Não há modelos, especificações nem preços confirmados. Sobre valores e disponibilidade no Brasil, as informações disponíveis não dizem nada.

O que observar

Três pontos definem o tamanho dessa história: a confirmação oficial da Intel, a lista final de modelos e os preços no início de 2027. Se os chips chegarem a um valor razoável, o upgrade só de processador ganha sentido. Se vierem caros, o argumento da economia com memória perde força.

Por ora, o cenário é de cautela: um soquete lançado em 2021 e dado como aposentado em 2024 reaparece como base de novos processadores. Quem guardou a placa e a memória DDR4 pode ter, em 2027, um motivo para não ter vendido.

Conversões em reais feitas pelo dólar PTAX do Banco Central de 09/10/2026 (US$ 1 = R$ 4,99), apenas como referência: o preço no Brasil pode ser outro.

Fontes: Notebookcheck, Tom's Hardware, TechPowerUp, Engadget, The Verge

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