Atualizado em 29/10/2026, às 22h30 (horário de Brasília/Fortaleza). O caso ainda está em andamento e os números podem mudar.

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi alvo de um ataque na tarde desta quinta-feira (29). Por volta das 17h24 (horário de Brasília), carteiras quentes da empresa, que ficam conectadas à internet para processar saques, começaram a enviar bilhões de dólares em criptomoedas para endereços novos na rede Ethereum.

Se as estimativas se confirmarem, este será o maior roubo da história das criptomoedas. O recorde anterior era da Bybit, que perdeu cerca de US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025.

Quanto foi levado

Os números ainda não batem entre as fontes:

  • Chainalysis: cerca de US$ 5,91 bilhões roubados, pelo valor das moedas na hora do ataque.
  • Arkham Intelligence: cerca de US$ 5,8 bilhões em 55 endereços ligados ao atacante. É o saldo atual dessas carteiras, não um valor de roubo confirmado.
  • Blockaid: cerca de US$ 3,3 bilhões em transferências suspeitas.
  • Primeiros movimentos na rede: cerca de US$ 2,5 bilhões a US$ 2,8 bilhões saíram de uma única carteira ("Binance 14").

A Binance ainda não confirmou o valor total.

Entre os ativos levados estão cerca de US$ 1,4 bilhão em bitcoin, cerca de US$ 900 milhões em ether e bilhões em stablecoins (USDT e USDC).

Como aconteceu

Ainda não há explicação oficial. Pela análise preliminar da empresa de segurança Blockaid, os criminosos não roubaram a chave privada das carteiras. Eles teriam enganado ou invadido o sistema que autoriza as transações, fazendo-o aprovar transferências falsas. Segundo o CEO da Arkham, o ataque ainda estava em andamento à noite.

Dinheiro congelado

Parte do valor foi bloqueada antes de ser levada adiante:

  • A Tether congelou mais de US$ 1,5 bilhão em USDT.
  • A Circle congelou mais de US$ 800 milhões em USDC.
  • Ripple, World Liberty Financial e o Conselho de Segurança da Arbitrum também ajudaram nos bloqueios.

Segundo a Binance, o total congelado e verificado chegou a US$ 3 bilhões e ainda pode crescer.

Mesmo assim, o atacante segue espalhando moedas que não podem ser congeladas para novos endereços. Esse costuma ser o primeiro passo da lavagem do dinheiro.

O que a Binance diz

Em nota, a Binance disse que investiga "um possível problema de segurança" e que os fundos dos usuários estão seguros. A empresa suspendeu depósitos e saques temporariamente para fazer verificações e afirmou que vai "cobrir todas as perdas".

Changpeng Zhao (CZ), fundador e maior acionista da Binance, disse que "parece mesmo um ataque à Binance". Segundo ele, como acionista, espera que todos os fundos dos usuários sejam cobertos.

A Binance mantém o SAFU, um fundo de emergência em bitcoin criado para proteger usuários em casos de invasão. A empresa ainda não disse se vai usá-lo.

A Binance.US, que opera separadamente, não foi afetada.

Efeito no mercado

  • BNB, a moeda da Binance: caiu até cerca de 8% a 10% em 24 horas, para perto de US$ 685 a US$ 700.
  • Bitcoin: caiu para cerca de US$ 77,6 mil, o menor valor em seis semanas, segundo a Reuters.
  • Ether: caiu para perto de US$ 2.240.
  • Liquidações: cerca de US$ 628 milhões em posições alavancadas foram liquidadas em uma hora.

O que fazer se você tem conta na Binance

  • Não entre em pânico nem venda às pressas. A Binance diz que vai cobrir as perdas e que o saldo dos clientes não foi afetado.
  • Acompanhe só os canais oficiais: o site binance.com/pt-BR e a conta @binance no X.
  • Cuidado com golpes. Ninguém da Binance vai pedir sua senha, códigos ou que você transfira moedas para "proteger" seu saldo. Desconfie de mensagens, e-mails e "suportes" no WhatsApp e no Telegram.
  • Reforce a segurança da conta. Ative a verificação em duas etapas por aplicativo ou chave de segurança e confira a lista de dispositivos conectados.
  • Pense em guardar fora da corretora o que você não usa. Para valores parados, uma carteira própria (de preferência física) reduz o risco de ser afetado por problemas na corretora.
  • Não tente sacar em loop. Os saques estão suspensos e serão liberados aos poucos, conforme a Binance.

Fontes