Pix ganha regra nova contra golpes: o que muda no MED 2.0

Desde 26 de outubro, os avisos de fraude trocados entre bancos dizem em que etapa do rastreamento está cada transferência. Você não precisa fazer nada, mas precisa saber como pedir o dinheiro de volta.

Alexandre Soares3 min de leitura
Passageira de jaqueta jeans mostra o celular a uma atendente atrás do vidro da bilheteria da Trensurb, em Porto Alegre, para pagar a passagem com Pix.
Foto: Lia Kirch/Trensurb (CC BY 2.0)

Desde segunda-feira, 26 de outubro, o Pix tem uma regra nova de segurança definida pelo Banco Central. Ela mexe nos bastidores do MED 2.0, a versão mais nova do Mecanismo Especial de Devolução, e não muda nada no aplicativo do seu banco. Ainda assim, entender como funciona ajuda a agir rápido se você cair num golpe.

O que é o MED

O MED é o caminho oficial para pedir de volta um Pix feito por golpe, fraude ou crime. Você abre a contestação no app do banco, o banco notifica a instituição que recebeu o dinheiro, e ela pode bloquear o valor enquanto o caso é analisado.

Na primeira versão, a recuperação ficava presa à conta que recebeu o Pix. O problema é que golpistas espalham o dinheiro em outras contas em minutos.

Fachada do edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, com torres de vidro escuro e uma árvore em primeiro plano sob céu azul.
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado (CC BY 2.0)

O que o MED 2.0 já mudou

O MED 2.0 foi criado pela Resolução BCB nº 493, de 28 de agosto de 2025. Ele criou a "recuperação de valores": um procedimento de rastreamento, bloqueio e devolução que segue o dinheiro além da primeira conta, nas transferências seguintes. Segundo o TechTudo, esse rastreamento entre contas está em vigor desde maio deste ano.

O que muda a partir de 26 de outubro

A novidade desta semana é técnica. As notificações de suspeita de fraude trocadas entre as instituições passam a indicar em que etapa do rastreamento está cada transferência. Assim, o banco que recebe o aviso sabe se aquele dinheiro veio direto da vítima ou se já passou por outras contas antes de chegar ali.

Na prática, isso deve ajudar os bancos a decidir mais rápido o que bloquear. O TechTudo ressalta que a mudança acontece nos procedimentos internos das instituições: não há função nova para ativar nem atualização obrigatória do app.

Caí num golpe pelo Pix. O que fazer

  1. Conteste no app do banco o quanto antes. Pelas regras do Banco Central, os bancos precisam oferecer no ambiente Pix do aplicativo uma opção para contestar transações por golpe, fraude ou crime, sem depender de atendimento humano. Também deve ser possível acompanhar o andamento.
  2. Respeite o prazo. O pedido pode ser feito em até 80 dias depois da transferência, segundo o TechTudo. Quanto antes, maior a chance de ainda haver saldo para bloquear.
  3. Registre um boletim de ocorrência. Ele ajuda no processo e em uma eventual ação na Justiça.

Depois da contestação, as instituições envolvidas têm até sete dias para analisar a suspeita, segundo o TechTudo. Se a fraude for confirmada, os valores recuperados voltam para a vítima.

O que o MED não resolve

  • Não há garantia de devolução. Se o golpista já sacou o dinheiro ou não há saldo nas contas rastreadas, você pode receber só uma parte ou nada.
  • Não serve para erro seu. Pix enviado para a chave errada ou briga comercial, como produto que não chegou de um vendedor real, ficam fora do MED. Nesses casos, o caminho é pedir a devolução ao destinatário ou procurar o banco e os órgãos de defesa do consumidor.

Na prática

A regra nova não pede nada de você, mas reforça a lição de sempre: em golpe com Pix, o tempo conta. Conteste pelo app no mesmo dia em que perceber o golpe.

Leia também: Golpes com seguro e cadastro falso

Fontes: TechTudo, Banco Central do Brasil (Resolução BCB nº 493), Banco Central do Brasil (Guia do MED)

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