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Golpes com seguro e cadastro falso

Um SMS que dá duas horas para atualizar a apólice mostra como o golpe do falso seguro funciona e como derrubá-lo em segundos.

Alexandre Soares5 min de leitura
Mão segurando um smartphone com a tela acesa em branco, sem nenhum texto, diante de uma parede cinza.
Foto: Santeri Viinamäki/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) · Foto: Santeri Viinamäki/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Imagine este SMS: o seguro do carro vence hoje e a apólice será cancelada se você não atualizar o cadastro no link. O logotipo parece o da seguradora, o nome dela está certo e o prazo é de duas horas. Você clica, digita CPF, data de nascimento e dados do cartão. Só depois repara que o endereço do site tem uma letra trocada.

O roteiro é banal, e é por isso que engana. Entender como ele é montado ajuda a desmontá-lo.

O que é o golpe

O nome técnico é phishing, algo como "pescaria" de dados. O golpista manda uma mensagem falsa para que você mesmo entregue o que ele quer: senha, código, número do cartão ou um pagamento.

Pense em um pescador que usa uma isca parecida com a comida do peixe. Ele não precisa invadir nada. Basta a isca parecer de verdade por tempo suficiente para você morder.

Seguro é uma isca eficiente porque mexe com o medo: ficar sem cobertura do carro, do celular ou da vida justo quando algo pode dar errado.

As versões mais comuns

Apólice "vencendo" ou boleto falso. A mensagem diz que há parcela em atraso ou que a apólice será cancelada. O boleto anexo parece legítimo, mas o dinheiro vai para a conta do golpista.

"Atualização de cadastro". Chega em nome de banco, órgão público ou loja e pede que você confirme dados num link, sob ameaça de bloqueio.

Seguro baratíssimo. Um anúncio ou perfil falso oferece cobertura por uma fração do preço normal. Você paga, recebe um PDF bonito de apólice e só descobre o problema quando precisa acionar o seguro.

Por que funciona

Primeiro, a urgência. Prazo curto tira o tempo de conferir, e conferir é justamente o que derruba o golpe.

Segundo, a credibilidade. Quando a mensagem chama você pelo nome ou cita o modelo do carro, parece que só a empresa poderia saber. Mas acertar um dado seu não prova nada sobre quem escreve: informações pessoais circulam por vazamentos e cadastros antigos, e o golpista só precisa de alguns detalhes para soar convincente.

Terceiro, o medo. Quem teme ficar sem cobertura tende a agir primeiro e pensar depois.

Sinais de alerta

  • Endereço do link estranho: letra trocada, palavra a mais, final diferente do site que você conhece. Links encurtados também pedem desconfiança.
  • Prazo apertado: "hoje", "últimas horas", "última chance".
  • Pedido de senha ou código: empresa séria não pede sua senha nem o código de confirmação que chega por SMS ou aplicativo.
  • Pagamento para pessoa física: boleto ou transferência de seguro deve ir para a empresa, nunca para o CPF de alguém.
  • Canal inesperado: se a seguradora nunca falou com você por determinado aplicativo de mensagens, desconfie de quem aparece por lá.

Como se proteger e conferir

Pessoa segura um celular com as duas mãos e toca a tela, que mostra ícones de aplicativos, em um ambiente com pouca luz.
Foto: Océanos y dados/Wikimedia Commons

A regra de ouro é não resolver nada pelo link recebido. Feche a mensagem e abra o aplicativo da empresa que já está no seu celular, ou digite o endereço do site à mão. Se a pendência existe, ela aparece lá.

Outra saída é ligar para o telefone que está no verso do cartão, na apólice original ou no site oficial, nunca para o número que veio na mensagem.

Antes de fechar um seguro novo, consulte no site da Susep a lista de empresas licenciadas, que mostra se a seguradora é autorizada e qual é o site oficial dela, e use também a consulta de corretor. A Susep não certifica sites nem anúncios: ela mostra quem está autorizado a vender seguro. Se não achar o registro, ou o nome vier ligeiramente diferente, pare a negociação.

Ative também a verificação em duas etapas nas contas de banco, e-mail e aplicativos de mensagem. Assim, mesmo que uma senha vaze, ela sozinha não abre a porta. E desconfie de preço muito abaixo do que o mercado pratica: seguro não costuma ter promoção milagrosa.

Se você caiu

Aja rápido, na ordem que fizer sentido para o que foi entregue:

  1. Bloqueie o cartão pelo aplicativo do banco ou por telefone, se digitou os dados dele.
  2. Troque as senhas das contas envolvidas, começando pelo e-mail, e use uma senha diferente para cada serviço.
  3. Avise o banco o quanto antes, principalmente se houve pagamento de boleto ou transferência, para que ele tente barrar o dinheiro. Se foi Pix, conteste a transação no banco assim que perceber o golpe: quanto mais rápido, maior a chance de o valor ainda estar na conta e ser bloqueado pelo MED (Mecanismo Especial de Devolução). A Serasa recomenda agir nas primeiras duas horas.
  4. Registre boletim de ocorrência, que em muitos lugares dá para fazer pela internet.
  5. Denuncie à seguradora ou à empresa imitada e aos canais oficiais, para que a página falsa seja tirada do ar.

De volta ao SMS

O jeito mais seguro de resolver aquele aviso era simples: fechar a mensagem, abrir o aplicativo da seguradora que já estava no celular e ver ali que a apólice estava em dia. Sem prazo de duas horas, sem link e sem letra trocada.

Fontes: Susep – Consultar empresas licenciadas (site oficial das seguradoras), Susep – Prevenir a fraude, Blog da Porto – Golpe do seguro, CQCS – Corretores são foco de criminosos (código Susep), Serasa – Denunciar Pix fraudulento (primeiras duas horas, MED), Metrópoles – Casal invade sistema de corretora e desvia pagamentos via Pix

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