Um carregador anunciado como "120 W" por pouco mais de R$ 30 chama atenção nas buscas por "carregador turbo". O problema aparece quando se procura o número de homologação da Anatel informado na ficha desses anúncios: em vários casos, ele pertence a outro produto, não existe ou está suspenso.

Um levantamento publicado em 13/10/2026 com os carregadores genéricos mais vendidos no Mercado Livre encontrou problema no registro de 6 de 10 anúncios. A Luneta Tech repetiu a consulta dos números na base de dados aberta da Anatel, na versão atualizada às 5h35 de 01/11/2026 (horário de Brasília), e os resultados se mantêm. Não foi possível abrir os anúncios do Mercado Livre para confirmar se continuam no ar, porque o site bloqueia o acesso automatizado; os anúncios e preços citados são os do levantamento de outubro.

O que a base da Anatel mostra

  • 06835-20-01993, informado em dois anúncios de "120 W" e "200 W" para Xiaomi (R$ 32,26 e R$ 32,11): na Anatel, é o carregador USB-C de 20 W da Apple, modelo A2465, registrado pela Apple Computer Brasil.
  • 20863-23-14028, de um "30 W para iPhone" de R$ 44: é uma bateria auxiliar (power bank), não um carregador de tomada.
  • 17554-23-14550, de um "67 W" de R$ 24,36: é o carregador de 67 W original da Xiaomi (MDY-15-ET), que a loja oficial da marca vendia por R$ 179,99. A ficha do anúncio fala em "fabricante OEM" e saída de 5 V.
  • 00881-11-10003, de outro "120 W" (R$ 32,99): não aparece na base.
  • 18306-21-12308, de um terceiro "120 W" (R$ 33,72): é um carregador LDNIO KD-302 com homologação suspensa; o certificado venceu em 18/12/2025.

Suspensão, sozinha, não prova falsificação: certificados vencidos também aparecem assim. O sinal forte é o número de outro produto ou um número que não existe.

Por que um genérico não entrega 120 W

A carga de 120 W da Xiaomi, chamada HyperCharge, é um sistema próprio da marca e depende do carregador e do cabo dela. O carregador original de 120 W (MDY-14-EE, homologação 11151-24-14550, conferida na base) custava R$ 249,99 em outubro. Mesmo um carregador comum de boa qualidade carrega esses celulares bem mais devagar.

O risco vai além da velocidade. A Anatel alerta que carregadores sem certificação costumam não ter proteção contra superaquecimento, sobrecarga e curto-circuito, o que pode causar choque, explosão ou incêndio.

Como conferir antes de comprar

  1. Ache o número. Ele tem 12 dígitos (formato 00000-00-00000) e deve estar no corpo do carregador e na ficha do anúncio.
  2. Consulte a Anatel. Digite o número na consulta pública de produtos homologados. O resultado precisa ser um carregador para celular, do mesmo fabricante e modelo anunciados.
  3. Desconfie de muitos watts por pouco dinheiro. Um "120 W" de R$ 30 não é o mesmo produto que o original de R$ 249,99.
  4. Olhe o plugue e a garantia. Pinos chatos indicam produto feito para outro país, e garantia menor que um ano é sinal de alerta, segundo a Anatel.
  5. Prefira loja oficial ou anúncios vendidos diretamente pelo varejista.

Divergências: os números de homologação foram conferidos pela redação na base aberta da Anatel (arquivo de 01/11/2026) e batem com o levantamento de 13/10. Os anúncios, preços e quantidades vendidas não puderam ser conferidos hoje, porque o Mercado Livre bloqueia acesso automatizado; podem ter mudado ou saído do ar. O levantamento original descreve o carregador Lehmox LE-626 (02988-24-13654) como "válido"; na base de hoje, o requerimento aparece como "Em Análise - RE", com certificado válido até 2028. A Anatel informa que o número de homologação pode ter 10 ou 12 dígitos, conforme o certificado.