Explicamos

A diferença entre smart ring e smartwatch

Os dois medem sono e batimentos, mas um vive à vista no pulso e o outro some no dedo, e isso muda a rotina.

Alexandre Soares4 min de leitura
Produtos: Watch Series 10, Venu 3, Ring 4
Foto: mercadolivre.com.br

Você está com duas abas abertas. Numa, um relógio inteligente com tela colorida. Na outra, um anel sem tela nenhuma, de preço na mesma faixa de conversa. Os dois prometem medir sono, batimentos e passos. Se fazem a mesma coisa, por que existem os dois?

Porque medir parecido não é o mesmo que servir para a mesma rotina. A diferença está menos no sensor e mais no que cada aparelho faz com você o dia inteiro.

O que é cada um

O smartwatch é um minicomputador de pulso. Tem tela, aplicativos e notificações, e muitos modelos têm GPS, pagamento por aproximação e chamadas. Você olha para ele e ele responde.

O smart ring (anel inteligente) é o oposto: um sensor discreto que você coloca no dedo e esquece. Não tem tela. Ele coleta dados em silêncio e mostra tudo no aplicativo do celular, em geral de manhã, quando você quer saber como foi a noite.

Como os sensores funcionam

Os dois costumam usar a mesma técnica básica para medir o pulso, a fotopletismografia. O nome é feio, a ideia é simples: lembra de apoiar a lanterna do celular na ponta do dedo e ver a pele ficar avermelhada? A luz atravessa o tecido, e a quantidade que volta muda conforme o sangue pulsa nos vasos. O sensor lê essa variação e calcula os batimentos. Alguns modelos estimam também a oxigenação do sangue.

Além da luz, entram sensores de temperatura da pele e de movimento, que ajudam a separar sono de vigília.

O anel tem a vantagem de ficar justo no dedo, sem folga para balançar. O relógio sofre mais com o movimento do braço e depende de estar bem ajustado ao pulso.

Garmin Venu 3: Relógio cinza com moldura prateada em ângulo, tela preta mostrando horário digital e indicadores de passos e bateria, em fundo branco.
Foto: mercadolivre.com.br

O que muda na prática

Bateria. O relógio, com tela e aplicativos, gasta mais energia e tende a pedir carga com mais frequência, principalmente com GPS ligado. O anel, sem tela, costuma durar mais dias longe da tomada. O número exato varia de modelo para modelo.

Sono. Aqui o anel leva vantagem de conforto. Dormir com um relógio no pulso incomoda parte das pessoas, e o anel é pequeno a ponto de passar quase despercebido.

Notificações e funções. Mensagens, chamadas, pagamentos, mapas e controle de música são território do relógio. O anel não faz nada disso: ele observa, não interage.

Treino. Para corrida e ciclismo, o relógio mostra ritmo, distância e frequência cardíaca na hora em que você precisa. O anel registra a atividade, mas você só vê o resultado depois no celular. Em exercícios com as mãos, como musculação, vale testar se o anel incomoda no seu caso.

O que pesar na hora de comprar

Preço varia muito nos dois mundos: há opções mais simples e outras bem mais caras em cada categoria, então compare modelo a modelo. Se o aparelho for importado, confira o valor final na loja, com tudo incluído, antes de fechar.

O anel traz uma complicação própria: o tamanho. Ele precisa servir no dedo certo, e o dedo muda um pouco com calor e inchaço. Antes de comprar, veja como o fabricante ajuda a descobrir o seu número e qual é a política de troca, porque errar o tamanho pode dar trabalho.

Oura Ring 4: Anel dourado polido visto de frente, com sensores verdes e vermelhos na face interna.
Foto: mercadolivre.com.br

Outro ponto é o modelo de cobrança. Alguns aparelhos, de anel ou de relógio, podem exigir assinatura para liberar certas análises no aplicativo. Isso não vale para todos, mas vale checar, porque pesa no custo ao longo do tempo.

Confira também a compatibilidade com Android e iPhone, já que certos recursos funcionam melhor, ou só funcionam, em um dos sistemas. E pergunte sobre garantia e assistência no Brasil: sem isso, o conserto pode virar problema.

Como escolher

Se você quer um assistente completo no pulso, que avisa mensagens, paga a conta, marca o treino e ainda mede o sono, o smartwatch resolve quase tudo.

Se a ideia é só acompanhar sono e recuperação, sem tela e sem distração, o anel combina melhor, principalmente se você não suporta nada no pulso na hora de dormir.

Há ainda quem use os dois: o relógio de dia, para treino e funções, e o anel à noite ou nos momentos em que o relógio está carregando.

Um limite vale para ambos: nenhum dos dois é aparelho médico. Eles mostram tendências e ajudam a notar hábitos, mas não diagnosticam doenças. Se algum número te preocupar, a conversa é com um profissional de saúde.

No fim das contas

De manhã, o anel pode estar esquecido na mesa de cabeceira, carregando por um tempo, enquanto o relógio já está no pulso de quem vai sair. Um acompanha o corpo em silêncio. O outro fica à vista o dia todo. A escolha é sobre qual dos dois cabe na sua rotina.

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