Até agora, quem comprava um notebook com placa de vídeo Nvidia levava dois chips separados: um processador da Intel ou da AMD e uma GPU GeForce. O RTX Spark muda isso. É a primeira vez que a Nvidia faz o "cérebro" inteiro de um notebook com Windows.
O que é
O RTX Spark é um superchip, como a Nvidia chama, que reúne três peças:
- GPU Blackwell RTX, a mesma geração das placas de vídeo GeForce RTX 50, com até 6.144 núcleos CUDA;
- CPU Nvidia Grace, com até 20 núcleos e arquitetura Arm, a mesma dos celulares, e não x86, a dos PCs tradicionais. A MediaTek ajudou no projeto;
- memória unificada de até 128 GB, compartilhada pela CPU e pela GPU.
As duas partes se falam por uma ligação interna rápida, a NVLink-C2C. A ideia lembra a dos chips da Apple nos Macs: tudo no mesmo pacote, com a memória dividida entre processador e gráficos.
As duas versões
A Nvidia chama as duas de "RTX Spark N1X", o que confunde na hora da compra:
| Versão completa | Versão menor | |
|---|---|---|
| GPU | 6.144 núcleos | 5.120 núcleos |
| CPU | 20 núcleos | 18 núcleos |
| Desempenho em IA | 1 petaflop (FP4) | 827 teraflops |
| Consumo | 45 a 80 W | 45 a 80 W |
Nos notebooks já vendidos nos EUA, a versão menor aparece nas configurações de 24 GB e 32 GB; as de 48 GB ou mais usam o chip completo, segundo o Tom's Hardware. Por isso, vale ler a ficha inteira, e não só o nome do chip.
Para que serve a memória grande
Os modelos de inteligência artificial precisam caber na memória para rodar no próprio computador, sem depender da internet. Numa placa de vídeo comum, a memória da GPU é separada e menor. No RTX Spark, a GPU pode usar quase toda a memória do sistema. Com 128 GB, a Nvidia diz que dá para rodar grandes modelos de linguagem e agentes de IA localmente, editar cenas 3D de mais de 90 GB e jogar títulos pesados em 1440p acima de 100 quadros por segundo com o DLSS 5.
O desempenho de "1 petaflop" é medido em FP4, um formato de baixa precisão usado em IA. Ele não se compara diretamente aos TOPS anunciados por Intel, AMD e Qualcomm para os PCs Copilot+.
Roda meus programas?
Roda Windows 11. Como a CPU é Arm, programas feitos para x86 rodam por emulação, como já acontece nos notebooks com chips Snapdragon, e isso pode custar desempenho. A Nvidia promete suporte desde o primeiro dia a Photoshop, Premiere e jogos como Gears of War: E-Day e NBA 2K27, mas não publicou uma lista completa de compatibilidade. Quem depende de um programa específico deve confirmar antes de comprar.
Quais notebooks têm
Os primeiros modelos, à venda nos EUA desde 16/10/2026, são de Asus (ProArt P14 e P16), Dell (XPS 16), HP (OmniBook Ultra e OmniBook X 14), Lenovo (Yoga Pro 9n), Microsoft (Surface Laptop Ultra) e MSI (Prestige N16 e N16 Flip AI+). Acer e Gigabyte vêm depois, e os minicomputadores de mesa ainda não chegaram.
Os preços partem de US$ 2.599 (Asus ProArt P14 com 24 GB). A configuração mais cara citada, o ProArt P16 com 128 GB e 2 TB, custa US$ 6.999,99.
E no Brasil?
Em junho, Marcio Aguiar, diretor de vendas da Nvidia para a América Latina, disse que os notebooks devem chegar ao país em novembro. A Dell confirmou que trará o XPS 16 com RTX Spark, sem data nem preço. A Nvidia diz que cada fabricante vai definir o próprio preço aqui. Até 01/11, nenhum modelo tinha preço em reais divulgado.
Divergências: na página de especificações da Nvidia, a versão menor aparece com memória de "até 32 GB"; na página principal do produto, com "até 64 GB". O Tom's Hardware só viu a versão menor em notebooks de 24 GB e 32 GB. O Tecnoblog cita largura de banda de 600 GB/s, número que não aparece nas páginas da Nvidia consultadas. A previsão de chegada ao Brasil em novembro foi dada em junho e não foi reconfirmada pela Nvidia em outubro.





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