Quem entrar numa loja para comprar TV antes da Black Friday, em 27 de novembro, vai encontrar três siglas novas nas etiquetas: Micro RGB, Mini RGB e SQD-Mini LED. As três foram apresentadas na CES, em janeiro de 2026, e chegaram ao Brasil ao longo do segundo semestre. Todas têm o mesmo alvo: chegar perto do contraste e da pureza de cor do OLED, com mais brilho e sem o risco de marcas permanentes na tela.
Primeiro, o básico: continua sendo LCD
Nenhuma dessas tecnologias é uma tela que acende pixel por pixel, como o OLED. Todas são painéis de LCD: uma camada de cristal líquido controla a imagem, e uma iluminação traseira fornece a luz. O que muda é como essa luz é feita.
Numa TV LED comum, a luz de fundo é branca ou azul e passa por filtros para virar cor. Nas TVs QLED, uma película de pontos quânticos ajuda a deixar as cores mais vivas. As novas tecnologias mexem justamente nessa etapa.
Micro RGB (Samsung)
Na Micro RGB, a Samsung troca os LEDs brancos da luz de fundo por milhares de LEDs vermelhos, verdes e azuis muito pequenos, espalhados por toda a traseira da tela. Como a cor já nasce na própria fonte de luz, a TV dispensa a película de pontos quânticos e acende cada cor conforme a cena pede: o azul do céu ativa os emissores azuis daquela região, por exemplo.
A Samsung diz que o painel cobre 100% da gama de cores BT.2020, um padrão de cinema, com certificação da entidade alemã VDE.
O limite é físico: cada zona de luz ainda cobre centenas de pixels. Por isso, em objetos claros sobre fundo escuro, o halo de luz continua aparecendo. O preto do OLED, que apaga cada pixel individualmente, ainda é melhor.
No Brasil, desde 14 de setembro:
- R85H (55, 65 e 75 polegadas): a partir de R$ 6.849, com taxa de atualização nativa de 144 Hz;
- R95H (só 85 polegadas): R$ 42.499, com tela antirreflexo.
Os preços são do menor tamanho de cada linha. A Samsung não publicou tabela por polegada.
Mini RGB (LG)
A LG chegou ao Brasil com a MRGB85, chamada Mini RGB evo AI, anunciada em 23 de junho. O nome lembra o da Samsung, mas a construção é outra.
A LG não usa LEDs vermelhos independentes e aplica uma estrutura em camadas chamada Tandem LED. A luz fica só nas bordas da tela (o chamado edge lit), e não espalhada pela traseira. Isso barateia a TV: nas telas de 55 polegadas, ela custa cerca de metade da Samsung, com referência de R$ 4 mil no varejo. A contrapartida, segundo especialistas, é menor uniformidade de luz e risco de manchas de brilho.
O modelo mais avançado da LG nessa tecnologia, a MRGB95, mostrado no exterior, não veio ao Brasil.
SQD-Mini LED (TCL)
A TCL foi por outro caminho. Ela não prevê lançar TVs RGB no Brasil. A aposta aqui é o SQD-Mini LED: em vez de LEDs coloridos, um único tipo de chip de luz trabalha com uma película de pontos quânticos aprimorada e um sistema óptico que organiza as zonas de iluminação.
As linhas C7L e X11L chegaram em 21 de julho. A C7L começa em R$ 7.599; na versão de 75 polegadas, tem até 1.352 zonas de luz e pico de brilho de até 3.000 nits, com som da Bang & Olufsen. Lá fora, a TCL vende modelos com luz RGB (séries RM7L e RM9L), mas não aqui.
Qual escolher
- Sala clara, com janela e luz acesa: as tecnologias de LCD com luz forte levam vantagem sobre o OLED em brilho. A Micro RGB R85H de 55 polegadas é o caminho mais barato até essa tecnologia da Samsung.
- Filme no escuro: o OLED ainda faz preto melhor. Na própria Samsung, o OLED S85H começa em R$ 5.249, abaixo da Micro RGB.
- Orçamento mais curto: a LG MRGB85 entrega a sigla RGB por menos, mas com luz só nas bordas.
- Brilho e cor sem pagar pelo RGB: a TCL SQD-Mini LED é a alternativa.
Antes de comprar, vale conferir o preço do tamanho que você quer, já que os valores divulgados são de entrada.
Divergências: o tamanho dos LEDs da Micro RGB é descrito de formas diferentes: "1.000 vezes menor que um milímetro" em uma fonte e "menos de 100 micrômetros" em outra. Não usamos número no texto. O preço da LG MRGB85 não tem valor sugerido oficial nas fontes abertas; a referência de R$ 4 mil é de varejo. A crítica à iluminação nas bordas da LG é de especialista ouvido por uma das fontes, não da LG.





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