Análise

Falta de memória vai encarecer TVs, e as baratas sofrem mais

A memória passou de 2,5% a 3% para 6% a 7% do custo de uma TV, e a TrendForce diz que a alta de preço dos modelos novos é inevitável; as TVs de entrada são as mais expostas.

Alexandre Soares4 min de leitura
Módulos de memória RAM DDR5 ou DDR4: Quatro renders 3D de módulos de memória RAM pretos com dissipador e iluminação RGB rosa e azul, em fundo branco.
Foto: Amazon

Quando se fala da falta de memória causada pela corrida da inteligência artificial, a conversa costuma ficar no computador: notebook mais caro, placa de vídeo mais cara, memória RAM com alta de 500% lá fora. Mas a mesma crise está chegando à sala de casa. TVs, caixas de som e soundbars também usam memória, e a conta começa a aparecer no preço, principalmente nos modelos mais baratos.

Quanto a memória pesa numa TV

Uma TV moderna é, por dentro, um pequeno computador. Ela tem processador, memória e armazenamento para rodar o sistema (Google TV, Tizen, webOS), os aplicativos de streaming e o processamento de imagem.

Segundo a consultoria TrendForce, a fatia da memória no custo dos componentes de uma TV subiu de 2,5% a 3% para 6% a 7% com a alta recente de preços. Pode parecer pouco, mas, numa indústria em que a margem de lucro de uma TV de entrada é apertada, dobrar o custo de um componente faz diferença.

A conclusão da TrendForce, num relatório de janeiro, foi direta: o aumento de preço dos modelos novos de TV é considerado inevitável, porque a estrutura de custos atual já não sustenta a estratégia de preço baixo de antes. Além da memória, o preço dos painéis e dos metais usados na fabricação também subiu.

Por que as TVs baratas sofrem mais

A consultoria Omdia aponta um dado que ajuda a entender o problema: em alguns modelos de entrada, a parte eletrônica já custa mais do que o próprio painel de LCD. Ou seja, numa TV barata, o que encareceu, que é a memória e o processador, é justamente a parte mais cara da conta.

Numa TV de topo, o painel OLED ou Mini LED domina o custo, e alguns dólares a mais de memória se diluem. Numa TV de 43 ou 50 polegadas vendida no limite do preço, não há onde esconder o aumento. Por isso, a tendência é que o reajuste apareça primeiro e com mais força nas faixas de entrada.

Smart TV TCL P7L de 50 polegadas vista de frente.
Foto: Amazon

A TrendForce também prevê que marcas menores, com menos escala, sofram mais, porque compram componentes em volumes menores e negociam pior com os fornecedores. A previsão é de 194,81 milhões de TVs vendidas no mundo em 2026, uma queda de 0,6% em relação a 2025.

E as caixas de som?

O efeito chega também ao áudio. Soundbars e caixas de som inteligentes usam processadores e memória para rodar assistentes de voz, conexões sem fio e processamento de som. Análises do setor indicam que soundbars e até conversores de áudio de alta resolução estão entre os próximos a ter os preços pressionados.

O que já se vê no Brasil

A Samsung chegou a prever alta de até 20% no preço dos eletrônicos no Brasil em 2026, e, em janeiro, disse que não descartava reajustar TVs e eletrodomésticos por causa da falta de memória.

No varejo, o que se vê é oscilação. A TCL P7L de 50 polegadas, uma das QLED mais baratas do país, foi lançada a R$ 2.999, apareceu a R$ 1.916,79 na Amazon em 1º de novembro e voltou a R$ 2.189 dois dias depois. Preço de loja sobe e desce toda semana, mas, com o custo de produção em alta, fica mais difícil esperar quedas grandes e duradouras.

O que isso significa para a Black Friday

  • Não conte com uma queda forte das TVs de entrada. Os modelos já lançados ainda podem ter desconto, mas os novos tendem a chegar mais caros.
  • Se achar uma TV com a ficha certa num preço menor do que o das últimas semanas, compre. Esperar pode não compensar este ano.
  • Desconfie do "preço de" muito inflado. Compare com o histórico do produto, e não com o preço riscado.
  • Considere um modelo um degrau acima. Como o reajuste pesa mais nas TVs baratas, a diferença de preço para a faixa intermediária pode ficar menor do que costumava ser.

Fontes: TrendForce, TechRadar, Omdia, Tecnoblog (previsão da Samsung para o Brasil), Amazon Brasil

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