Quando se fala da falta de memória causada pela corrida da inteligência artificial, a conversa costuma ficar no computador: notebook mais caro, placa de vídeo mais cara, memória RAM com alta de 500% lá fora. Mas a mesma crise está chegando à sala de casa. TVs, caixas de som e soundbars também usam memória, e a conta começa a aparecer no preço, principalmente nos modelos mais baratos.
Quanto a memória pesa numa TV
Uma TV moderna é, por dentro, um pequeno computador. Ela tem processador, memória e armazenamento para rodar o sistema (Google TV, Tizen, webOS), os aplicativos de streaming e o processamento de imagem.
Segundo a consultoria TrendForce, a fatia da memória no custo dos componentes de uma TV subiu de 2,5% a 3% para 6% a 7% com a alta recente de preços. Pode parecer pouco, mas, numa indústria em que a margem de lucro de uma TV de entrada é apertada, dobrar o custo de um componente faz diferença.
A conclusão da TrendForce, num relatório de janeiro, foi direta: o aumento de preço dos modelos novos de TV é considerado inevitável, porque a estrutura de custos atual já não sustenta a estratégia de preço baixo de antes. Além da memória, o preço dos painéis e dos metais usados na fabricação também subiu.
Por que as TVs baratas sofrem mais
A consultoria Omdia aponta um dado que ajuda a entender o problema: em alguns modelos de entrada, a parte eletrônica já custa mais do que o próprio painel de LCD. Ou seja, numa TV barata, o que encareceu, que é a memória e o processador, é justamente a parte mais cara da conta.
Numa TV de topo, o painel OLED ou Mini LED domina o custo, e alguns dólares a mais de memória se diluem. Numa TV de 43 ou 50 polegadas vendida no limite do preço, não há onde esconder o aumento. Por isso, a tendência é que o reajuste apareça primeiro e com mais força nas faixas de entrada.






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