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Character.AI pede falência e o que fazer com seus chats

A plataforma segue no ar, mas ninguém sabe o que um novo dono faria com suas conversas e personagens, então vale guardar uma cópia agora.

Alexandre Soares4 min de leitura
Character.AI Character.AI, plataforma de personagens de inteligência artificial: Celular com a logo Character.AI na tela, apoiado sobre teclado de notebook que
Foto: tomsguide.com

Imagine alguém que abre o app na noite de 13 de outubro para continuar uma história que escreve há meses com um personagem criado por ela mesma. A tela carrega, o personagem responde, tudo igual. Só que em 12 de outubro a empresa por trás do serviço pediu falência nos Estados Unidos, e aquela conversa pode ter prazo para acabar.

É o que está acontecendo com a Character.AI, plataforma em que você cria personagens de inteligência artificial, define nome, voz, descrição e saudação, e conversa com eles ou os publica para outras pessoas.

O que aconteceu

Em 12 de outubro, a Character.AI entrou com pedido de falência pelo Capítulo 11 da lei americana. A empresa listou passivo entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões e diz que o objetivo é facilitar a venda da companhia e de seus ativos.

A plataforma continua funcionando. Quem tem assinatura paga segue sendo cobrado normalmente, e a empresa afirma que as práticas de privacidade e segurança atuais continuam valendo.

Capítulo 11: falência que não fecha a porta

O nome assusta, mas o Capítulo 11 se parece mais com a recuperação judicial que conhecemos no Brasil do que com um "fechou, acabou". A empresa segue operando sob supervisão de um tribunal enquanto tenta se reestruturar ou vender o que tem. É como uma loja que fica aberta com o balcão atendendo, enquanto lá nos fundos alguém negocia o ponto.

Character.AI Character.AI, plataforma de personagens de inteligência artificial: Colagem de cartões com personagens ilustrados de IA, criados por usuários, com
Foto: engadget.com

No caso da Character.AI, a saída em jogo é a venda. A empresa espera concluir o processo entre o fim de novembro e o início de dezembro de 2026. O que ela quer é um comprador que mantenha o serviço no ar.

E a Disney nisso tudo?

A Disney apareceu com uma oferta de US$ 20 milhões por uma licença não exclusiva e perpétua de parte da propriedade intelectual da empresa. Ela funciona como a primeira proponente, a que abre o leilão: outros interessados podem cobrir o valor.

Tem um detalhe importante para quem usa o app. A proposta da Disney não inclui dados de usuários. Também não está estabelecido que ela ficaria com o aplicativo nem que preservaria a comunidade de personagens e conversas. Esse ponto segue em aberto.

O risco real

A empresa admite que, se não aparecer ninguém disposto a manter o serviço, a plataforma pode ser desligada. Não há data confirmada para isso, e nada indica que os dados vão sumir amanhã.

O problema é outro: ninguém sabe o que um comprador diferente da Disney faria com os chats. A política de privacidade da empresa prevê que informações, incluindo registros de conversas, podem ser transferidas em caso de venda de ativos. Se você já escreveu coisas pessoais para um personagem, vale pensar nisso.

O que fazer agora

A Character.AI já oferece uma ferramenta de exportação de dados. Você pede a cópia pelo app ou pelo site, e quanto antes, melhor.

character.ai Character.AI, plataforma de personagens de inteligência artificial: Captura de tela do site da plataforma com conversa com o personagem Son Goku, c
Foto: tomsguide.com

Algumas ideias práticas:

  • Peça a exportação da conta sem esperar a definição da venda.
  • Salve à mão o que mais importa: descrições dos personagens, saudações, conversas favoritas e enredos originais.
  • Se preferir sair de vez, a opção é excluir a conta, o que faz sentido para quem não quer seus chats nas mãos de um dono desconhecido.
  • Se você é assinante, a cobrança continua até você cancelar. A empresa diz que avisará com antecedência se mudanças afetarem recursos pagos.

Uma ressalva: a cópia guarda a informação, mas não leva o personagem junto. Não dá para importar o arquivo em outro chatbot e esperar o mesmo comportamento, o mesmo jeito de responder. O que você salva é o texto, não a "personalidade" que se formou ali.

Para quem está no Brasil

Não há informação sobre regra específica para usuários brasileiros, nem preço local ou garantia de continuidade. O jeito mais prudente é tratar seus chats como algo que pode sumir ou mudar de mãos, e agir de acordo.

Voltando à nossa usuária da história de meses: o app continua aberto e a conversa segue. A diferença é que agora existe uma cópia guardada fora dele, como quem tira foto de um caderno antes de emprestá-lo.

Fontes: Tom's Guide, Notebookcheck, Engadget, Ars Technica

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