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Como escolher um celular barato que não decepciona

Cinco itens de checagem (memória, bateria, tela, atualizações e rede) valem mais que os megapixels da caixa.

Alexandre Soares6 min de leitura
Arte da Luneta Tech: Celular barato: o que checar
Arte: Luneta Tech

Para escolher um celular barato que não decepciona, priorize armazenamento folgado, memória RAM suficiente para os seus apps, bateria grande, tela decente e uma promessa clara de atualizações de software. A câmera de muitos megapixels fica para depois. Com pouco dinheiro, quem acerta o básico sai ganhando; quem compra pelo número maior impresso na caixa costuma se arrepender cedo.

O que olhar primeiro: memória, processador e armazenamento

Pense numa mesa de trabalho com uma gaveta. A RAM é o tamanho da mesa: quanto maior, mais coisas você deixa abertas ao mesmo tempo sem precisar guardar uma para pegar outra. O armazenamento é a gaveta, onde ficam fotos, vídeos, apps e arquivos. O processador é quem trabalha em cima da mesa.

Na prática, pouca RAM faz o aplicativo recarregar toda vez que você volta a ele. Pouco armazenamento enche rápido, porque o sistema já ocupa uma parte e as fotos e vídeos do WhatsApp cuidam do resto. Dentro do que o orçamento permite, prefira mais gaveta e mais mesa.

Se você usa muitos apps ao mesmo tempo, ou guarda muita foto e vídeo, procure mais RAM e mais armazenamento dentro da sua faixa de preço. Se usa o celular só para mensagens e ligações, uma configuração mais enxuta resolve.

Sobre o processador, não precisa decorar nomes. Compare modelos da mesma faixa em testes de uso real: abertura de apps, jogos leves, aquecimento. Isso diz mais do que o nome do chip impresso na caixa.

Samsung Galaxy A15: Celular na cor branca-azulada, vista de frente e de trás, com a tela ligada mostrando fundo lilás e azul
Foto: mercadolivre.com.br

Bateria e carregador

A capacidade da bateria vem em mAh (miliampère-hora) e funciona como o tamanho do tanque. Quanto maior o número, mais energia guardada. Mas tanque grande não garante autonomia sozinho: uma tela que gasta muito e um chip pouco eficiente esvaziam qualquer bateria. Por isso vale buscar testes de autonomia, não só a capacidade.

Olhe também o carregador. Muitos modelos vêm só com o cabo, ou nem isso. Se o carregador não está na caixa, esse custo entra na conta. E repare na potência declarada: um carregador mais forte encurta a espera, mas só ajuda se o celular aceitar essa potência.

Se você passa o dia fora de casa, procure bateria grande e carregamento razoável. Se vive perto de uma tomada, a capacidade pesa menos e dá para gastar a diferença em outro item.

Tela e câmera

Há dois tipos comuns de painel. O LCD é mais simples e barato. O OLED acende cada ponto da tela separadamente, o que dá pretos mais profundos e mais contraste, e costuma aparecer em faixas um pouco acima. Na loja, compare as telas lado a lado, com brilho e cores à vista: o tipo de painel é só parte da história.

A taxa de atualização, medida em Hz, diz quantas vezes por segundo a imagem se renova. Quanto maior, mais suave a rolagem. É conforto, não necessidade. Já a resolução, em tela de celular, passa a fazer pouca diferença para o olho a partir de certo ponto, então não pague caro por ela.

Moto G84: Capa transparente de cantos reforçados em celular azul, vista da traseira e da lateral, sobre fundo branco.
Foto: mercadolivre.com.br

Sobre a câmera, megapixels dizem pouco. O que faz foto boa é o tamanho do sensor, a qualidade da lente e o processamento de imagem feito pelo software. Um sensor de muitos megapixels mal resolvido pode tirar foto pior do que um de resolução menor bem trabalhado. Se você fotografa muito à noite, procure exemplos de foto com pouca luz antes de comprar.

Software e rede

É aqui que muito celular barato decepciona. Procure uma promessa clara do fabricante sobre por quanto tempo o aparelho recebe atualizações de sistema e de segurança. Sem elas, o celular fica mais exposto e, com o tempo, alguns apps podem parar de funcionar. Se o fabricante não diz nada sobre isso, é sinal de alerta.

Na rede, confira se o modelo tem 5G e se é vendido oficialmente no Brasil, o que aumenta a chance de ele funcionar bem com as operadoras daqui. Em aparelho importado, pesquise a compatibilidade com as frequências usadas no país antes de pagar. Veja também se aceita dois chips, já que muita gente separa número pessoal e de trabalho, e se o modelo é homologado pela Anatel, o que se espera de um aparelho vendido legalmente.

O que é marketing

Algumas coisas parecem vantagem e entregam menos do que prometem:

Poco X6 Pro: Capa preta com proteção de câmera deslizante e suporte de anel, vista na frente de um celular com tela de cores azul e amarela.
Foto: Amazon
  • Câmeras auxiliares de baixa qualidade. Lentes extras para "profundidade" ou "macro" aumentam a contagem de câmeras na caixa. Antes de se empolgar, procure fotos de teste para ver se fazem diferença.
  • "RAM estendida". Em geral, o sistema usa parte do armazenamento como memória de apoio. Não é RAM física, então não some esse número ao da memória real.
  • Potência de carregador sem contexto. Um número grande de watts na embalagem não diz quanto tempo o celular leva para carregar de fato. Procure o tempo de carga em testes.
  • Aparelho sem garantia nacional ou de origem duvidosa. Se der defeito, você pode ficar sem assistência. Exija nota fiscal, garantia no Brasil e confira a homologação antes de pagar.

Como decidir na prática

Leve esta lista de checagem para a loja ou para o anúncio:

  1. Armazenamento folgado e RAM suficiente para os apps que você usa.
  2. Bateria grande e carregador incluso (ou o custo dele na conta).
  3. Tela com bom brilho e, se possível, taxa de atualização acima do básico.
  4. Promessa clara de atualizações de sistema e de segurança.
  5. 5G, dois chips, homologação da Anatel e garantia nacional.

Depois, ajuste ao seu uso. Se você faz o básico, como mensagens, ligações, banco e mapas, foque em bateria e atualizações. Se vive em redes sociais e vídeos, priorize tela boa e mais RAM. Se joga títulos leves, procure um processador de entrada bem avaliado em testes e armazenamento folgado para os jogos.

Na hora de decidir diante da vitrine ou do anúncio, a lista no bolso faz o trabalho que a embalagem não faz. Quem confere esses cinco itens leva para casa um aparelho que tende a envelhecer melhor. A caixa com o maior número impresso fica na prateleira.

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