O Itaú Unibanco anunciou em 26/10/2026, por fato relevante, que assinou contrato para comprar 100% da NeoSpace A.I. Technologies, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2.925.000.000,00. Uma parte será paga no fechamento do negócio e o restante, de forma parcelada ao longo de cinco anos, sujeito a condições que o banco não detalhou.

O que a NeoSpace faz

A NeoSpace desenvolve modelos fundacionais, que são grandes modelos de IA treinados com volumes enormes de dados e que servem de base para várias aplicações. A diferença é que os modelos feitos para o Itaú foram treinados com dados do próprio banco, e não com textos da internet.

Segundo o fato relevante, a startup presta serviços ao Itaú há quase dois anos, com "resultados relevantes e transformadores" em três frentes:

  • crédito, com análise e ofertas mais personalizadas;
  • CRM, a gestão do relacionamento com o cliente;
  • prevenção a fraudes.

O banco diz que a compra se conecta à evolução do ia.i, seu assistente de IA generativa, para oferecer orientação financeira e soluções mais ajustadas ao perfil de cada cliente.

Uma relação antiga

A aproximação não é nova. Em janeiro de 2025, o Itaú comprou 15% da NeoSpace ao liderar uma rodada de investimento estimada em US$ 18 milhões, da qual cerca de US$ 15 milhões vieram do banco, segundo o Valor Econômico.

A startup foi fundada em 2024 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs, o mesmo trio que criou a Zup em 2011. O Itaú comprou o controle da Zup em 2019, quando a empresa foi avaliada em R$ 575 milhões.

Pierobon continua como CEO. O banco afirma que a NeoSpace terá gestão autônoma e que a equipe será mantida. "Queremos contribuir para uma nova geração de inteligência artificial especializada, capaz de transformar a experiência financeira de milhões de pessoas", disse o executivo em nota divulgada pelo Valor.

O que falta para fechar

A operação só será concluída depois da aprovação prévia do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do Banco Central, além de outras condições comuns nesse tipo de negócio. Não há prazo divulgado.

O que muda para o cliente

Por enquanto, nada muda no aplicativo. O Itaú não anunciou recursos novos ligados à compra nem datas. O que o banco sinaliza é a intenção de usar mais IA treinada com os próprios dados em ofertas de crédito, atendimento pelo ia.i e detecção de golpes. O banco não informou quanto da sua base de clientes já é atendida por esses modelos.

Divergências: os valores da rodada de janeiro de 2025 (US$ 18 milhões, cerca de US$ 15 milhões do Itaú) aparecem no Valor como "estimados" e não constam do fato relevante. A citação de Bruno Pierobon foi publicada pelo Valor; não localizamos a nota original.