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Kaleido 4, a nova tela colorida da E Ink

A tela de tinta eletrônica colorida promete cores mais fortes, fundo mais branco e até vídeo, mas ainda tem pontos em aberto.

Alexandre Soares4 min de leitura
E Ink Kaleido 4: Tablet de tinta eletrônica cinza na vertical, com caneta stylus ao lado, mostrando na tela uma ilustração de mulher passeando com cachorro, fun
Foto: theverge.com

Você abre a página de um e-reader colorido numa loja online e vê a capa de um livro com cores lavadas, quase de revista desbotada. O texto parece um pouco acinzentado. Dá vontade de pagar mais por isso? É essa limitação que o Kaleido 4, anunciado pela E Ink em outubro de 2026, promete atacar.

O que é tinta eletrônica

E-paper, ou tinta eletrônica, é a tela de e-readers como Kindle e Kobo. Ela não emite luz: reflete a luz do ambiente, como uma folha de papel. Por isso é confortável sob o sol e gasta pouquíssima bateria. Dentro dela há partículas de pigmento preto e branco que se movem por carga elétrica e formam letras e imagens.

O preço dessa elegância é a velocidade. Trocar de imagem leva tempo, e a tela não chega perto dos 120 Hz de um celular com OLED.

Como o Kaleido faz cor

O Kaleido usa um truque simples. A base continua sendo preto e branco, e por cima dela vai um filtro de cor. É como pintar sobre uma folha preto e branco com papel-celofane colorido: a imagem de baixo define a luminosidade, o celofane põe a cor.

Isso tem um custo. O filtro reduz a resolução das imagens coloridas, limita a paleta e deixa as cores dessaturadas. Também escurece um pouco o texto comum, que fica pior do que numa tela só preto e branco.

E Ink Kaleido 4: Painel de tela inclinado sobre fundo cinza, mostrando capa de livro infantil com lua, floresta e uma gata, com cabo flexível preto à direita.
Foto: theverge.com

Há outra família, a Gallery, que usa pigmentos coloridos de verdade. As imagens saem mais ricas, mas a tela demora para atualizar, e muita gente acha isso frustrante no uso diário. O Kaleido é bem mais rápido, e por isso aparece em tantos aparelhos.

O que muda no Kaleido 4

A E Ink diz que o volume de gama de cores dobrou e passa de 40 mil. "Volume de gama" é uma medida de quantas cores distintas a tela consegue mostrar com brilho utilizável, e não apenas de quão intensas elas são.

O branco da tela reflete 15% mais luz, e o contraste subiu 50%. Na prática, o fundo deve ficar mais próximo do branco de papel e o texto, menos borrado.

A novidade mais inusitada é o vídeo, de até 18 quadros por segundo. É pouco perto dos 24 a 30 quadros de uma tela comum, mas para e-paper é um salto: rolar páginas e ver animações deve ficar menos arrastado.

O responsável por boa parte disso é uma nova base de transistores, de óxido, que aceita tensão mais alta e move as partículas com mais rapidez. A E Ink também melhorou a receita de impressão do filtro de cor e redesenhou a luz frontal.

E Ink Kaleido 4: Painel de tela de frente com o topo da capa de livro infantil cortado, em fundo cinza, com cabo flexível à direita.
Foto: engadget.com

O que ainda está em aberto

Aqui há uma divergência. Parte da cobertura do lançamento afirma que o Kaleido 4 continua limitado a 4.096 cores, contra os milhões de uma tela LCD ou OLED, e com resolução colorida menor que a do texto preto e branco. Mas a apresentação da E Ink não trouxe número de cores nem resolução colorida, então não dá para saber se esses limites do Kaleido 3 foram mantidos ou superados. Sobre o texto preto e branco, a empresa disse que a resolução segue a mesma, com impressão melhor para reduzir a granulação.

Todos os ganhos citados acima são alegações da E Ink, medidos contra o Kaleido 3. Ainda falta ver o painel lado a lado com os anteriores, em testes independentes.

Na prática

O primeiro aparelho com a tecnologia é o Hanvon M10C II, um tablet de anotações vendido só na China, com vidro microgravado que reduz reflexos e dá sensação de papel, além de caneta sem bateria. A Hanvon prevê lançá-lo no começo de dezembro e não divulgou preço.

Hoje, Kobo, PocketBook e Boox usam o Kaleido 3, e o Kindle Colorsoft usa uma versão customizada dele. Amazon e Kobo ainda não anunciaram aparelhos com Kaleido 4; não há informação sobre as demais marcas. Também não há informação sobre se, quando ou a que preço um e-reader com essa tela chegaria ao Brasil.

Voltando à página da loja: quando o Kaleido 4 chegar a marcas que você conhece, a mesma capa de livro deve aparecer com cores um pouco mais vivas e um fundo mais branco. Ainda não será uma tela de celular, mas fica mais perto de uma página impressa.

Fontes: Notebookcheck, Engadget, The Verge, Readwithpro, Tech Insider

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