A mensagem chega de um número que você conhece. Um amigo, um primo, alguém do trabalho pede uma ajuda rápida: ele colocou um produto à venda no Mercado Livre e o anúncio só ganha destaque se dois contatos de confiança confirmarem um link. Parece um favor de dez segundos, desses que a gente faz sem pensar entre uma reunião e outra. É o começo de um golpe que passou a circular no fim de outubro e termina com a sua conta do WhatsApp nas mãos de outra pessoa.
O roteiro não é novo. Golpes que usam o nome de grandes lojas para pedir códigos aparecem com frequência no Brasil, e o do WhatsApp clonado já tem anos de estrada. O que muda nesta versão é o disfarce: em vez de um suposto vendedor ou de um falso funcionário do banco, quem pede ajuda é alguém da sua lista de contatos.
Como o golpe funciona, passo a passo
- O primeiro contato vem de um número conhecido. Esse número já foi invadido antes, e é por isso que o pedido soa tão natural. A conversa usa o nome da pessoa, a foto dela e, às vezes, até o jeito de escrever.
- O pedido é para "validar um anúncio". A história é que o produto só aparece em destaque no Mercado Livre se dois contatos de confiança confirmarem um link. Ninguém pede dinheiro nessa etapa.
- Entram em cena os falsos atendentes. Depois do primeiro contato, a vítima passa a falar com supostos representantes do marketplace, com logotipo e mensagens parecidas com as oficiais.
- Eles pedem um código "para concluir a validação". Esse código é, na verdade, o código de verificação do WhatsApp, aquele de seis dígitos que o aplicativo manda por SMS quando alguém tenta registrar o seu número em outro aparelho.
- Quem informa o código entrega a conta. O golpista instala o seu WhatsApp no aparelho dele e você é desconectado.
- Começam os pedidos de Pix. Com o seu nome e a sua foto, os criminosos mandam mensagens aos seus contatos, quase sempre com uma história de urgência: uma conta para pagar hoje, um problema no banco, um parente em apuros.
O círculo se fecha aí: cada conta roubada vira o "número conhecido" que vai abordar a próxima vítima.
O que o Mercado Livre e o WhatsApp dizem
O Mercado Livre afirma que não pede senhas, códigos nem dados financeiros por WhatsApp, SMS, ligação ou e-mail. A empresa diz que monitora o uso indevido da marca e que a comunicação com o cliente acontece pelos canais oficiais, o site e o aplicativo. Também não existe, no Mercado Livre, nenhum mecanismo em que um anúncio ganhe destaque porque amigos do vendedor confirmaram um link.






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