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Golpe do falso anúncio do Mercado Livre rouba o WhatsApp

O pedido para "validar um anúncio" chega de um contato conhecido e termina com o código de verificação do WhatsApp nas mãos de golpistas, que passam a pedir Pix à família.

Alexandre Soares4 min de leitura
Celular sobre uma mesa escura com a tela amarela do aplicativo do Mercado Livre e o logo das mãos apertadas.
Foto: Canaltech

A mensagem chega de um número que você conhece. Um amigo, um primo, alguém do trabalho pede uma ajuda rápida: ele colocou um produto à venda no Mercado Livre e o anúncio só ganha destaque se dois contatos de confiança confirmarem um link. Parece um favor de dez segundos, desses que a gente faz sem pensar entre uma reunião e outra. É o começo de um golpe que passou a circular no fim de outubro e termina com a sua conta do WhatsApp nas mãos de outra pessoa.

O roteiro não é novo. Golpes que usam o nome de grandes lojas para pedir códigos aparecem com frequência no Brasil, e o do WhatsApp clonado já tem anos de estrada. O que muda nesta versão é o disfarce: em vez de um suposto vendedor ou de um falso funcionário do banco, quem pede ajuda é alguém da sua lista de contatos.

Como o golpe funciona, passo a passo

  1. O primeiro contato vem de um número conhecido. Esse número já foi invadido antes, e é por isso que o pedido soa tão natural. A conversa usa o nome da pessoa, a foto dela e, às vezes, até o jeito de escrever.
  2. O pedido é para "validar um anúncio". A história é que o produto só aparece em destaque no Mercado Livre se dois contatos de confiança confirmarem um link. Ninguém pede dinheiro nessa etapa.
  3. Entram em cena os falsos atendentes. Depois do primeiro contato, a vítima passa a falar com supostos representantes do marketplace, com logotipo e mensagens parecidas com as oficiais.
  4. Eles pedem um código "para concluir a validação". Esse código é, na verdade, o código de verificação do WhatsApp, aquele de seis dígitos que o aplicativo manda por SMS quando alguém tenta registrar o seu número em outro aparelho.
  5. Quem informa o código entrega a conta. O golpista instala o seu WhatsApp no aparelho dele e você é desconectado.
  6. Começam os pedidos de Pix. Com o seu nome e a sua foto, os criminosos mandam mensagens aos seus contatos, quase sempre com uma história de urgência: uma conta para pagar hoje, um problema no banco, um parente em apuros.

O círculo se fecha aí: cada conta roubada vira o "número conhecido" que vai abordar a próxima vítima.

O que o Mercado Livre e o WhatsApp dizem

O Mercado Livre afirma que não pede senhas, códigos nem dados financeiros por WhatsApp, SMS, ligação ou e-mail. A empresa diz que monitora o uso indevido da marca e que a comunicação com o cliente acontece pelos canais oficiais, o site e o aplicativo. Também não existe, no Mercado Livre, nenhum mecanismo em que um anúncio ganhe destaque porque amigos do vendedor confirmaram um link.

Celular sobre uma mesa de madeira com a tela verde e o logo do WhatsApp.
Foto: SpaceMoney

O WhatsApp recomenda não clicar em links suspeitos, bloquear e denunciar as contas envolvidas e desconfiar de mensagens que se passam por pessoas conhecidas ou por empresas.

Por que tanta gente cai

O golpe junta duas coisas que baixam a guarda. A primeira é a confiança: o pedido vem de alguém que você conhece, e não de um número estranho. A segunda é que ele parece não envolver dinheiro. Ninguém pede Pix para você, só um "clique" e um código, e o código parece coisa de sistema, sem valor nenhum.

O prejuízo aparece depois, e muitas vezes não é seu. Quem perde dinheiro costuma ser o amigo ou o parente que recebe, do seu número, o pedido urgente de transferência. Por isso vale avisar a família sobre esse tipo de golpe, principalmente quem é menos acostumado com aplicativos.

O que fazer agora

  • Nunca repasse o código de verificação do WhatsApp, nem para conhecido, nem para "atendente". Nenhuma loja, banco ou empresa precisa dele. Se chegou um código que você não pediu, alguém está tentando entrar na sua conta.
  • Ative a verificação em duas etapas em Configurações > Conta > Confirmação em duas etapas. Ela cria um PIN de seis dígitos que o golpista não tem, mesmo com o código do SMS em mãos.
  • Confira os aparelhos conectados no menu do WhatsApp e encerre as sessões que você não reconhece.
  • Pedido de dinheiro de parente ou amigo: ligue antes de pagar, para o número que você já tem salvo, e não para um número novo que mandaram na conversa.
  • Se perdeu a conta: registre o seu número de novo no WhatsApp, avise os contatos por outro canal para que ninguém mande dinheiro, procure o suporte do aplicativo, registre boletim de ocorrência e, se houve prejuízo, fale com o banco no mesmo dia.

Fontes: Canaltech, Fast Company Brasil

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