Análise

Intel esgota chips de notebook barato e vê falta de memória em 2027

A Intel vendeu todos os Core Series 3 que conseguiu fabricar e disse, em 29 de outubro, que não espera melhora na oferta de memória em 2027: notebook de entrada deve seguir caro.

Alexandre Soares5 min de leitura
Processador Intel Core Series 3 visto de cima, com o logo Intel Core no centro, sobre fundo lilás.
Foto: HotHardware

Quem espera a Black Friday para trocar o notebook de entrada por um modelo mais barato recebeu um aviso da própria Intel. No balanço do terceiro trimestre, apresentado em 29 de outubro, a empresa disse que vendeu todos os processadores Core Series 3 que conseguiu fabricar e que não espera melhora na oferta de memória em 2027. As duas notícias apontam para o mesmo lugar: notebook barato deve continuar caro por mais tempo.

O que a Intel disse

O Core Series 3, de codinome Wildcat Lake, é a família de processadores da Intel para notebooks de entrada, lançada em 16 de abril. Ele é fabricado no processo Intel 18A, o mais avançado da empresa, e foi pensado para escolas, pequenas empresas e uso do dia a dia. A linha tem seis modelos, do Core 3 304 ao Core 7 360, com até seis núcleos, Wi-Fi 7, Bluetooth 6 e até duas portas Thunderbolt 4.

No balanço, o diretor financeiro, David Zinsner, afirmou que a Intel vendeu todos os Wildcat Lake que conseguiu produzir. O CEO, Lip-Bu Tan, reconheceu que a demanda está maior do que a oferta e que há falta de componentes em toda a indústria de PCs. As entregas do Core Series 3 cresceram cerca de 70% em relação ao trimestre anterior.

"Esgotado", aqui, quer dizer que a produção da Intel está toda vendida aos fabricantes de notebook. Não significa que os modelos sumiram das lojas.

Sobre a memória, Zinsner foi direto: a expectativa da Intel é que a situação não melhore em 2027, e a empresa só vai reavaliar em 2028.

Por que a memória está faltando

A falta de memória RAM vem da corrida da inteligência artificial. Os grandes fabricantes de memória, Samsung, SK Hynix e Micron, passaram a dedicar parte cada vez maior das fábricas à HBM, a memória de alta velocidade usada nos chips de IA dos data centers. A HBM dá mais lucro e consome muito mais silício por gigabyte do que a memória comum. Sobra menos para celular, notebook e PC.

O efeito no preço já é grande. Um kit básico de 32 GB de memória DDR5 que custava US$ 80 no ano passado chegou a US$ 439 em junho. Para a HP, a RAM já representa 35% do custo dos componentes de um PC. A SK Hynix é ainda mais pessimista que a Intel: o presidente da empresa chamou 2027 de possivelmente o pior ano da história para a oferta de memória e disse que a demanda pode superar a produção até depois de 2030.

Por que isso pesa mais no notebook barato

Num notebook caro, a memória é uma parte pequena do preço final. Num modelo de entrada, ela pesa muito mais na conta, e qualquer aumento aparece direto na etiqueta. O processador mais barato da Intel ajuda a segurar o custo, mas a economia some quando a memória dobra de preço.

Material de lançamento do Intel Core Series 3 com o processador e os destaques de bateria, IA e consumo de energia.
Foto: Liliputing

Os fabricantes têm três saídas, e nenhuma é boa para quem compra:

  • Subir o preço do notebook;
  • Trocar a configuração, colocando menos memória pelo mesmo valor;
  • Voltar aos modelos de 8 GB, que estavam quase sumindo e voltaram a vender bem como opção mais barata.

As grandes marcas, como Dell, Lenovo, Acer e Asus, já subiram o preço dos notebooks intermediários de US$ 900 para mais de US$ 1.200 lá fora. Analistas estimam alta de 15% a 30% no preço dos notebooks ao longo de 2026.

O outro lado: a demanda está caindo

O mesmo balanço mostrou o efeito colateral. A receita da divisão de computadores pessoais da Intel ficou em US$ 8,1 bilhões no trimestre, queda de 9% em relação ao anterior. Zinsner disse que os clientes estão sinalizando desaceleração na compra de PCs, porque os preços mais altos apertam os orçamentos de tecnologia das empresas.

Ou seja: a Intel vende todos os chips baratos que fabrica, mas o mercado de PC como um todo encolhe porque o computador ficou mais caro. É o retrato de uma indústria em que a IA dos data centers está tirando espaço do computador de casa.

O que isso significa para quem vai comprar

  • Não conte com uma queda forte de preço tão cedo. Se a Intel e a SK Hynix estiverem certas, a memória segue cara em 2027.
  • Evite notebook com 8 GB de RAM se você usa muitas abas e programas ao mesmo tempo, mesmo que ele esteja mais barato. Com memória soldada, que é comum nos modelos finos, não dá para aumentar depois.
  • Se encontrar um bom preço agora, num modelo com 16 GB, pode valer a pena não esperar. Com a memória em alta, a tendência é que as próximas levas cheguem mais caras ou com menos RAM.
  • Confira o processador na ficha. Os Core Series 3 aparecem como Core 3, Core 5 ou Core 7 seguidos de um número de três dígitos, como Core 5 320. Lá fora, eles já equipam modelos como o HP OmniBook 5 14.

Fontes: iTech Post, HotHardware, Canaltech (preço dos notebooks em 2026)

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