Você vai fazer um Pix, o saldo não dá e o aplicativo do banco oferece, ali mesmo, completar o valor com um empréstimo. Esse "Pix no crédito" já existe em alguns bancos, e o Banco Central decidiu colocar regras nele. Em 23 de outubro, o BC aprovou três resoluções que mudam a forma como os bancos oferecem crédito, e a principal delas diz que o crédito durante um Pix só pode ser oferecido a quem autorizou antes.
As mudanças não valem de imediato: as regras começam a valer entre março e julho de 2027. E não mexem no Pix comum: a transferência do dia a dia continua igual.
O que muda no Pix no crédito
As regras para oferecer crédito durante um Pix (Resolução 603) passam a valer em 1º de julho de 2027:
- Só com autorização prévia. O banco só pode oferecer o empréstimo a quem habilitou o serviço antes. A autorização passa a valer 24 horas depois de dada, o que evita a contratação por impulso no meio de uma compra, e pode ser cancelada a qualquer momento.
- Nunca acima do valor do Pix. O crédito oferecido não pode passar do valor da transferência.
- Fora do Pix agendado e do saque. Não pode haver oferta de crédito em Pix agendado nem nas operações de Pix Saque e Pix Troco.
- Devolução abate a dívida. Se o Pix feito com crédito for devolvido, inclusive pelo MED, o mecanismo de devolução usado em casos de golpe, o valor volta automaticamente para quitar o empréstimo, no todo ou em parte.
- Simulador obrigatório. Os bancos terão de oferecer um simulador para o cliente ver juros e parcelas antes de contratar, e uma área para acompanhar o que já foi contratado.
O painel de dívidas
A segunda resolução (601) cria o Painel de Dívidas Consolidadas, também a partir de 1º de julho de 2027. Ele vai mostrar as dívidas em aberto, as parcelas que faltam e como os compromissos evoluem, e deixará o cliente simular o efeito de um novo empréstimo na capacidade de pagamento.
O painel vai emitir um alerta quando as dívidas chegarem a 40% da capacidade mensal de pagamento. Não é uma proibição de novos empréstimos, só um aviso. No começo, ele mostrará apenas as operações do próprio banco; mais tarde, poderá incluir dados de outras instituições, pelo Sistema de Informações de Crédito e pelo Open Finance.






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