Dois produtos puxam esse resultado: os processadores Epyc para servidores e os aceleradores de IA Instinct MI450 e MI455X, que equipam os sistemas Helios, racks completos para treinar e rodar modelos de IA. Anthropic, Meta, Microsoft, OpenAI e Oracle Cloud Infrastructure já executam cargas de trabalho nos primeiros Helios. Para o quarto trimestre, a AMD espera que o data center chegue a US$ 12,8 bilhões.
A empresa também anunciou acordos para comprar a World Labs, de pesquisa em modelos, e a Taalas, de chips especializados em inferência. Os dois negócios apontam para o mesmo lado: mais IA, mais infraestrutura.
O outro lado do balanço
O resto da AMD não acompanha. O segmento que reúne PCs e jogos somou US$ 3,722 bilhões, queda de 8% em um ano. Dentro dele, os chips para PC subiram 7%, para US$ 2,9 bilhões, puxados pelos Ryzen para notebooks. Já a área de jogos caiu 40%, para US$ 773 milhões, porque Microsoft e Sony compraram menos chips para consoles e as placas Radeon RX seguiram fracas. O lucro operacional do segmento combinado caiu 34%, para US$ 573 milhões.
Há um pano de fundo comum: a memória ficou cara. A escassez de RAM e de outros componentes, alimentada pela demanda dos data centers de IA, encareceu PCs e consoles. Lisa Su, CEO da AMD, reconheceu que o consumidor sente mais esse aumento e que as vendas no varejo desaceleraram. A AMD projeta que o segmento de PCs e jogos encolha mais de 20% no quarto trimestre em relação ao terceiro.
Para 2027, a empresa planeja com queda de dois dígitos nas unidades de PC vendidas no mercado e diz esperar desempenho melhor que o do setor, com foco em empresas, consumidores premium e processadores para desktop. A Intel, por sua vez, não espera melhora na escassez de memória no ano que vem.
Uma aposta concentrada
A CFO, Jean Hu, afirmou que o data center deve passar de 80% da receita em 2027, contra 64% agora e 47% no terceiro trimestre de 2025. Lisa Su prevê que a receita total cresça mais de 80% no ano e que a de servidores dobre. A de aceleradores de IA e racks deve mais que dobrar.
É crescimento forte, mas num motor só. O resultado da AMD passa a depender de quanto os grandes clientes de nuvem e de IA continuarão gastando com infraestrutura. A divisão de embarcados, com US$ 1,11 bilhão e alta de 29%, também cresce, mas não tem o tamanho do data center.
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