Análise

AMD deve passar a Intel em receita no 4º trimestre

Data center de US$ 8,55 bilhões, alta de 97%, sustenta a previsão de US$ 17 bilhões da AMD para o quarto trimestre.

Alexandre Soares4 min de leitura
Aceleradores de IA AMD Instinct para data center
Foto: Divulgação/AMD

Na terça-feira (3), a AMD informou receita recorde de US$ 13,377 bilhões no terceiro trimestre de 2026 e projetou US$ 17 bilhões para o quarto, com variação de 3% para cima ou para baixo. A faixa vai de US$ 16,5 bilhões a US$ 17,5 bilhões. A Intel prevê entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões. O piso da faixa da AMD fica acima do teto da faixa da Intel.

São previsões, não balanço fechado, e qualquer uma das duas empresas pode errar. Se a AMD cumprir o que projeta, será a primeira vez que ela vende mais que a Intel em um trimestre. A diferença no ponto médio das duas projeções seria de US$ 1,5 bilhão.

A virada não vem do PC

O salto vem do data center. A unidade faturou US$ 8,55 bilhões no terceiro trimestre, alta de 97% sobre os US$ 4,34 bilhões de um ano antes, e já responde por 64% da receita. O lucro operacional do segmento subiu 168%, para US$ 2,88 bilhões.

Processador AMD Epyc para servidores
Foto: Divulgação/AMD

Dois produtos puxam esse resultado: os processadores Epyc para servidores e os aceleradores de IA Instinct MI450 e MI455X, que equipam os sistemas Helios, racks completos para treinar e rodar modelos de IA. Anthropic, Meta, Microsoft, OpenAI e Oracle Cloud Infrastructure já executam cargas de trabalho nos primeiros Helios. Para o quarto trimestre, a AMD espera que o data center chegue a US$ 12,8 bilhões.

A empresa também anunciou acordos para comprar a World Labs, de pesquisa em modelos, e a Taalas, de chips especializados em inferência. Os dois negócios apontam para o mesmo lado: mais IA, mais infraestrutura.

O outro lado do balanço

O resto da AMD não acompanha. O segmento que reúne PCs e jogos somou US$ 3,722 bilhões, queda de 8% em um ano. Dentro dele, os chips para PC subiram 7%, para US$ 2,9 bilhões, puxados pelos Ryzen para notebooks. Já a área de jogos caiu 40%, para US$ 773 milhões, porque Microsoft e Sony compraram menos chips para consoles e as placas Radeon RX seguiram fracas. O lucro operacional do segmento combinado caiu 34%, para US$ 573 milhões.

Há um pano de fundo comum: a memória ficou cara. A escassez de RAM e de outros componentes, alimentada pela demanda dos data centers de IA, encareceu PCs e consoles. Lisa Su, CEO da AMD, reconheceu que o consumidor sente mais esse aumento e que as vendas no varejo desaceleraram. A AMD projeta que o segmento de PCs e jogos encolha mais de 20% no quarto trimestre em relação ao terceiro.

Para 2027, a empresa planeja com queda de dois dígitos nas unidades de PC vendidas no mercado e diz esperar desempenho melhor que o do setor, com foco em empresas, consumidores premium e processadores para desktop. A Intel, por sua vez, não espera melhora na escassez de memória no ano que vem.

Uma aposta concentrada

A CFO, Jean Hu, afirmou que o data center deve passar de 80% da receita em 2027, contra 64% agora e 47% no terceiro trimestre de 2025. Lisa Su prevê que a receita total cresça mais de 80% no ano e que a de servidores dobre. A de aceleradores de IA e racks deve mais que dobrar.

É crescimento forte, mas num motor só. O resultado da AMD passa a depender de quanto os grandes clientes de nuvem e de IA continuarão gastando com infraestrutura. A divisão de embarcados, com US$ 1,11 bilhão e alta de 29%, também cresce, mas não tem o tamanho do data center.

Sede da Intel em Santa Clara, na Califórnia
Foto: Coolcaesar/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O contraste com a Intel está no perfil de vendas: ela segue muito dependente de processadores para PCs e servidores corporativos, justamente os mais pressionados pela memória cara e pela falta de componentes, além de limites na capacidade de fabricação.

O que muda para quem compra no Brasil

Para quem usa Ryzen ou joga em console com chip AMD, o que muda é o peso do consumidor dentro da empresa. O público de PC vira fatia menor da receita, e a atenção de investidores e engenharia vai para onde está o dinheiro. Isso não significa abandono: a AMD segue lançando para o público final. A plataforma Ryzen AI Halo, com processadores Ryzen AI Max PRO 400, já está disponível, e HP, Lenovo, Framework e GMKtec ampliaram a oferta de sistemas com esses chips. A Threadripper Halo Station, com Threadripper 9955WX e GPU Instinct MI350p, foi apresentada para rodar localmente modelos com trilhões de parâmetros.

O trimestre se resume em dois números: a receita total subiu US$ 1,9 bilhão, e o data center respondeu por US$ 1,8 bilhão dessa alta. Se a projeção da AMD se confirmar, a distância para a Intel terá sido construída quase toda nessa linha do balanço, e não na dos PCs.

Fontes: TechPowerUp, Tom's Hardware, The Verge, TechPowerUp

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