Explicamos

O que é HBM, a memória da IA que encareceu a RAM do seu PC

Os chips de IA usam uma memória empilhada que gasta cerca de três vezes mais silício por gigabyte que a DDR5. Como as mesmas fábricas fazem as duas, a memória do PC ficou cara.

Alexandre Soares4 min de leitura
Chip de memória HBM4 da Samsung
Foto: Divulgação/Samsung

Se você tentou comprar memória RAM nos últimos meses, levou um susto. Nos Estados Unidos, o kit de 32 GB de DDR5-6000 mais barato acompanhado por um rastreador de preços custava US$ 429 em 3 de novembro de 2026. Antes da falta de memória, o mesmo kit saía por perto de US$ 95.

A explicação passa por três letras que quase ninguém vê no dia a dia: HBM. É a memória que vai dentro dos chips de IA dos data centers, e ela está disputando as mesmas fábricas que fazem a RAM do seu computador.

O que é HBM

HBM quer dizer High Bandwidth Memory, ou memória de alta largura de banda. Em vez de espalhar os chips de memória numa placa, como num pente de RAM comum, ela empilha de 4 a 16 camadas de DRAM uma em cima da outra, como um prédio.

As camadas são ligadas por milhares de furos verticais no próprio silício, os TSVs, e a pilha fica colada ao processador, em cima de uma base de silício chamada interposer. O resultado é um caminho de dados largo e curto: cada pilha conversa com o chip por 1.024 fios de dados, e 2.048 na geração HBM4.

Para comparar: um pente de DDR5-6000 entrega cerca de 48 GB/s. Uma pilha de HBM3 passa de 800 GB/s, e a HBM4, cuja especificação saiu em abril de 2025, chega a 2 TB/s por pilha. Um acelerador de IA usa várias pilhas ao mesmo tempo.

Por que os chips de IA precisam dela

Modelos de IA são enormes e o processador passa o tempo todo buscando dados na memória. Se a memória é lenta, o chip mais caro do mundo fica parado esperando. A HBM resolve esse gargalo e por isso está em praticamente todo acelerador de IA de data center, dos chips da Nvidia, como o H100 e a linha Blackwell, à família Instinct MI400 da AMD, que estreou a HBM4 em 2026.

A ideia não é nova. A AMD começou a desenvolver a HBM com a SK Hynix em 2008, a SK Hynix fabricou o primeiro chip em 2013 e a placa de vídeo Radeon R9 Fury X, de 2015, foi a primeira a usar a memória. Nas placas de jogos ela não pegou, por ser cara. Com a IA, virou o componente mais disputado do setor.

Sede da Micron, uma das três fabricantes de HBM
Foto: Tom's Hardware

Onde entra a RAM do seu PC

Só três empresas fabricam HBM em grande escala: SK Hynix, Samsung e Micron. São as mesmas que fazem a maior parte da DRAM do mundo, incluindo a DDR5 de desktops e notebooks.

O problema é o custo em silício. A Micron afirma que a HBM3E consome cerca de três vezes mais wafer, o disco de silício de onde saem os chips, do que a DDR5 para entregar a mesma quantidade de memória. Os furos, as camadas extras e a base lógica ocupam espaço, e parte das pilhas não passa nos testes. A empresa diz ainda que essa diferença aumenta a cada geração, da HBM4 em diante.

Junte as duas coisas: a demanda por IA não para de crescer, a HBM paga melhor e cada gigabyte dela come o silício de três gigabytes de DDR5. As fabricantes direcionam a produção para os data centers e sobra menos memória para o resto. A própria Micron avisou que a expansão da HBM limita o crescimento da oferta das outras memórias.

Pentes de memória DDR5 instalados num PC
Foto: Tom's Hardware

O que fazer agora

  • Precisa de memória agora: compre a capacidade que você vai usar e não espere uma queda rápida. Nada nos números de novembro aponta para alívio no curto prazo.
  • Vai comprar notebook: prefira um modelo com memória suficiente de fábrica, 16 GB para uso geral. Muitos notebooks têm a RAM soldada na placa, e o upgrade depois pode nem ser possível.
  • Pode esperar: se o seu PC atual dá conta, adiar a troca de memória é a escolha mais barata enquanto a disputa com os data centers continuar.

Fontes: Wikipedia (High Bandwidth Memory), Tom's Hardware (Micron e a diferença de silício entre HBM e DDR5), Capital & Compute (preços de DDR5)

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