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O ataque que tirou dezenas de milhões de euros de um banco francês

O Crédit Mutuel Arkéa, dono do banco digital Fortuneo, confirmou o ataque em 4 de novembro. O dinheiro saiu do caixa do próprio banco e virou criptomoeda. Para o cliente, o risco agora é o golpe que vem depois.

Alexandre Soares4 min de leitura
Fachada com os letreiros do Crédit Mutuel de Bretagne e do Crédit Mutuel Arkéa
Foto: Franceinfo

O Crédit Mutuel Arkéa, grupo bancário francês que reúne as federações da Bretanha e do Sudoeste do Crédit Mutuel e filiais como o banco digital Fortuneo, confirmou em 4 de novembro de 2026 que foi alvo de um ataque hacker. O banco fala em "várias dezenas de milhões de euros" desviados. Investigadores que rastreiam transações em blockchain estimam 118 milhões de euros, ou US$ 133 milhões, número que o banco não confirma.

O caso chama atenção pelo tamanho e pelo método: o dinheiro não saiu da conta de clientes, mas do caixa do próprio banco.

O que aconteceu

Os primeiros sinais apareceram em 2 de novembro, quando investigadores identificaram mais de US$ 106 milhões em saques suspeitos de USDC e USDT, duas criptomoedas atreladas ao dólar. Nos dias seguintes, a estimativa subiu para mais de US$ 133 milhões.

Placa do Crédit Mutuel de Bretagne, do grupo Arkéa
Foto: Franceinfo

O banco descreve o caso como "um ataque sofisticado vindo de fora", diz que a entrada foi pela plataforma de um prestador de serviço e rejeita a hipótese de erro humano. Não explicou como os invasores entraram.

O que se sabe do caminho do dinheiro:

  • Transferências da conta do banco: os criminosos emitiram transferências a partir da conta do próprio banco para outras instituições, escolhendo o nome dos beneficiários.
  • Contas falsas em corretoras: o dinheiro foi para contas em plataformas de criptomoeda abertas com identidades falsas, que passaram pela checagem de identidade. Como o nome do beneficiário batia com o titular da conta, as transferências passaram pela conferência de nome.
  • Lavagem rápida: US$ 62,98 milhões em criptomoedas atreladas ao dólar foram trocados por 27.553 ether em umas quatro horas. Depois, os valores foram espalhados por várias redes e serviços de troca, e parte virou Monero, uma criptomoeda feita para esconder o rastro.

As corretoras Kraken e Crypto.com informaram que bloquearam contas e fundos ligados ao caso. Parte do dinheiro pode ter sido congelada, e o banco tenta recuperar o resto.

E os clientes?

O banco afirma que o saldo dos clientes não foi afetado. Algumas transferências atrasaram, e as operações foram retomadas na manhã de 4 de novembro, depois de reforço na segurança. O grupo diz que o prejuízo não ameaça a sua saúde financeira; no primeiro semestre, o lucro foi de 230 milhões de euros.

Uma queixa foi registrada na seção de crimes cibernéticos da promotoria de Paris, que abriu investigação por ataque a sistema de dados cometido por grupo organizado. A apuração está com o Ofac, o escritório francês de combate ao crime cibernético.

Logotipo do Arkéa na fachada de um prédio do grupo
Foto: La Libre

O golpe que vem depois

Logo depois do ataque, o próprio banco alertou os clientes para mensagens falsas em seu nome. É o padrão desse tipo de caso: o assunto vira notícia e os golpistas aproveitam o medo para mandar SMS, e-mail ou ligação dizendo que a sua conta foi afetada e pedindo dados para "proteger" o dinheiro.

No Brasil, a lógica é a mesma sempre que um banco ou uma empresa aparece num vazamento ou num ataque. A conta segura, o cadastro de chave Pix "para recuperar o saldo" e o link para "validar o acesso" são iscas.

Como se proteger

  • O banco não pede senha nem código: nenhum banco pede senha, código recebido por SMS ou token por telefone, mensagem ou e-mail. Se pediu, é golpe.
  • Desligue e ligue você: recebeu ligação "do banco"? Desligue e entre em contato pelo número do cartão ou pelo aplicativo oficial.
  • Não clique em link de mensagem: acesse o banco só pelo aplicativo ou digitando o endereço no navegador.
  • Ative os avisos do app: a notificação de cada transação mostra na hora um movimento que não foi seu.
  • Caiu num golpe com Pix: avise o banco imediatamente pelo canal oficial e peça a devolução pelo MED, o mecanismo de devolução do Pix. Quanto mais rápido, maior a chance de o dinheiro ainda estar bloqueável. Registre também um boletim de ocorrência.

Fontes: Franceinfo, Boursorama

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