Imagine uma madrugada em um hemocentro. Ninguém está na sala das geladeiras e o equipamento que guarda as bolsas esquenta sem que a equipe esteja ali para ver. Não é roteiro de filme: a França viveu algo parecido em outubro e novembro de 2026, e o caso mostra como a refrigeração conectada pode virar alvo.
O que aconteceu
Na noite de 11 de outubro de 2026, os controladores de refrigeração de centenas de supermercados franceses foram alterados à distância. Em vez de manter o frio, os equipamentos entraram em ciclo contínuo de degelo, com os alimentos ainda dentro. Há relatos de temperaturas de até 50 °C depois de seis horas, e um supermercado na Normandia disse que algumas geladeiras chegaram a 80 °C. Em algumas lojas, o calor derreteu peças do equipamento ou provocou incêndio.
O número de lojas atingidas varia conforme o levantamento: o grupo Les Mousquetaires (Intermarché) falou em cerca de cem das 3.600 lojas da rede, enquanto outras contagens chegam a 700 supermercados no total, entre várias bandeiras. As perdas também aparecem em faixas diferentes: "vários milhões de euros" nas primeiras estimativas do grupamento Intermarché e dezenas de milhões de euros em balanços posteriores do conjunto do setor.
No Intermarché de Grand-Couronne, na Normandia, o ataque começou às 4h44. O sistema de vigilância remota emitiu alertas na manhã seguinte, mas a equipe não estava no local durante a subida da temperatura, e todo o conteúdo das geladeiras foi descartado. O presidente da Coopérative U, Dominique Schelcher, chamou o episódio de "inaceitável" e inédito contra equipamentos essenciais ao abastecimento de alimentos.
Em 2 de novembro de 2026, um ataque semelhante atingiu supermercados em vários países europeus. Desta vez, o alvo incluiu geladeiras de plasma para transfusão da Établissement français du sang (EFS), a rede francesa de sangue. A tentativa era aquecê-las a 110 °C, mas o monitoramento disparou, a equipe interveio e o plasma foi preservado. A Coolworld, fornecedora de refrigeração da EFS, disse que a vulnerabilidade estava em "um componente fornecido por terceiros".







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